O Blog do Roberto Porto


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Botafogo, eu te amo!

A foto acima, que me foi enviada pelo amigo e colaborador Renan Gavioli, não é apenas mais uma foto do imortal Botafogo de Futebol e Regatas. Amassada, riscada e envelhecida, ela tem simplesmente 55 anos e foi batida no Maracanã exatamente no dia 6 de setembro de 1953, véspera do tradicional feriado da Independência.

Nesse dia, o Glorioso espancou o Simpaticíssimo por 3 a 0, dando um banho de bola, com gols de Vinícius, Garrincha (pênalti) e Dino. No gol de Garrincha, Garcia defendeu, a bola voltou e Mané, um simples novato, mergulhou de cabeça e estufou as redes do clube da Beira da Lagoa. Parabéns, Gavioli, seu arquivo é realmente implacável e a foto vai assim mesmo amassada e riscada. Ela merece.

Vamos identificar os heróis alvinegros? Pois então lá vai com nome completo e tudo: de pé, Gérson dos Santos, Gílson Mussi, Nílton dos Santos, Arati Pedro Viana, Robert (Bob) James Neil e Juvenal Francisco Dias; agachados, Manoel (Garrincha) Francisco dos Santos, Ephigenio (Geninho) de Freitas Bahiense, Dino da Costa, Carlyle Guimarães Cardoso e Luiz Vinícius de Menezes. O time da Gávea não era fraco, não: Garcia, Leoni e Pavão; Marinho (ex-Botafogo), Dequinha e Jordan; Joel Martins (ex-Botafogo), Rubens, Índio, Benitez (paraguaio importado) e, simplesmente, Mário Jorge Velho Lobo Zagallo, que iria para General Severiano após a Copa do Mundo de 58.

Infelizmente, por razões que já não me recordo – e olhem que tenho uma memória razoável – não pude assistir a esse massacre. Mas, com certeza, meu querido tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) estava lá, já sabendo que iria gerar, entre os Porto que viriam depois, bem mais do que um time de futebol. Eu estava em Barão de Javari – distrito de Miguel Pereira (RJ) – mas ouvi a partida colado no rádio, vibrando a cada gol do meu amado, eterno e inesquecível Botafogo. Comigo, convidados para o feriado que viria, estavam os irmão tricolores Ulysses e Eduardo Baptista Vianna, meus companheiros do Instituto São Fernando, infelizmente tricolores.

Ulysses, aos 21 anos, teve um fim trágico. Morreu num desastre de automóvel em Petrópolis. Eduardo está aí e é simplesmente presidente do Country Club, ali no Leblon. Justiça se faça aos dois, torceram desesperadamente pelo Botafogo e comemoraram comigo a vitória. Essa simples descrição – incluindo a morte de Ulysses, meu amigaço – acaba de me trazer lágrimas aos olhos. No acidente, morreram mais três rapazes, todos jovens como Ulysses. Só um que estava no jipe escapou. Mas o destino é o destino. E ele não quis que Ulysses, que à época do desastre já estava cursando Engenharia, continuasse entre nós.

Saudades, companheiro.

O Botafogo, é lógico, jogou com Gílson, Arati, Gérson e Nílton Santos; Bob, Geninho e Juvenal; Garrincha, Dino, Carlyle e Vinícius.

Obrigado pela oportunidade de mostrar como eu já amava o Botafogo, Gavioli.

Cinqüenta e três anos depois, estou pior – se é que isso é possível. Não posso ver a gloriosa sem me emocionar. E confirmo: só do meu lado, os Porto são alvinegros: eu, meu filho Roby (narrador da Sportv) e meus netos Rafael e Gaia. E também meus irmãos Carlos (autor do projeto do Engenhão) e Maurício (designer). Tenho até um sobrinho, Bruno Porto, que vive na China e é o chefe da Shangai-Fogo. É mole ou vocês querem mais?

Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br

PS-1: Não posso deixar de registrar, com alegria, o nascimento de JOÃO ABIUSI, neto de Nino,  filho de Cecília e Alejandro (o mais botafoguense dos hermanos – ou o mais hermano dos botafoguenses?). O pequeno João veio ao mundo nas Laranjeiras, mas é carioca de trocentos mil costados, veio nascer aqui por decisão da mãe e do pai. Um beijo para Cecília e Alejandro. Que João seja feliz!

 

PS-2: Meu amigo Carlos Augusto Montenegro está de volta à Presidência do Botafogo. Que alegria a minha, eu que o conheci ainda de calças curtas quando o pai dele, fundador do Ibope, o levava à minha casa para que ele visse minha coleção de fotos do Botafogo. Carlos Augusto era só um menino, mas já um entusiasmado, apaixonado Botafoguense. Bem-vindo de volta, Campeão! O Botafogo só tem a lucrar. Para mim, Carlinhos, era você ou Renha!

PS-3: O Blog foi pro ar hoje e recebo um e-mail da Andréa, filha do grande Fausto Wolff, que além de um tremendo jornalista, era também um baita escritor. Fomos surpreendidos pela revelação do Albino Castro de que Fausto era botafoguense roxo. Vejam o email que ela me mandou:


Caro Roberto,
Fiquei muito emocionada ao ver a mensagem do Albino Castro a respeito do meu pai, Fausto Wolff, publicada em seu blog. Sei que poucos conheceram o lado torcedor do Faustão, mas ele existia e sempre vestiu a camisa alvi-negra com a estrela solitária. Era muito comum, depois de vários chopps, entoarmos juntos o hino do Botafogo, talvez o mais bonito do futebol brasileiro. Depois, a cantoria enveredava por caminhos diferentes que desembocavam, invariavelmente, no hino da Internacional. Música, aliás, que acompanhou o velório do Fausto, devidamente executada pela Banda de Ipanema, que compareceu em peso.
Forte abraço,
Andréa



Escrito por Roberto Porto às 16h31
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O marketing do Engenhão

Em sua coluna no Canal Botafogo, que escreve desde 2004 embora jornalista não seja, meu parceiro César Oliveira inventou esta semana uma maneira, simpática – segundo ele –, de deixar de ser vidraça.

Abriu um espaço semanal para os seus muitos e incontáveis leitores, alguns que gostam dele – cada um sabe aonde coloca seus afetos, vai entender... –, outros que simplesmente o xingam ou chamam de esquizofrênico, virtude que – aqui entre nós – não acho esteja entre os seus múltiplos defeitos.

Mas vai que o maluco inventou de abrir um espaço semanal para seus leitores escreverem o que quiserem. Pelo menos nessa primeira semana. Ele pretende que os leitores contribuam com textos pró e contra um tema que ele vai propor. Na próxima, já dentro do Horário Eleitoral Gratuito do Canal Botafogo ele simplesmente dá a notícia – que eu também fiquei sabendo –, que o meu amigo de longa data, Carlos Augusto Montenegro será o candidato único do Botafogo à próxima eleição.

Apóio com alegria a decisão do Montenegro, não apenas porque seja amigo dele ou porque nossos pais tenham sido muito amigos (Carlinhos ia à minha casa, ainda muito garoto e ficava vendo minha coleção de notícias e fotos do Botafogo). Acho que, se não fosse o Manoel Renha, teria mesmo que ser o Montenegro, nosso presidente campeão brasileiro. Ou pelo menos alguém dessa equipe de colaboradores que carregou o piano do Botafogo nesses tempos próximos. Não pode ser é algumas dessas barangas que nos foram apresentadas. Não falo do JP Filgueira, porque sei de fontes fidedignas do empenho que ele teve para que o Engenhão se tornasse a casa do Botafogo. Mas alguns dos saltimbancos que se apresentaram... pelo amor de Deus. Um deles, pelo menos, quase sentiu o peso do meu punho direito numa reunião do CD, quando eu ainda era chegado a um desforço físico.

Mas, voltando ao Canal Botafogo, gostei muito dos quatro textos selecionados, a beleza de texto do Carlos Vilarinho, cuja alentada biografia do João Saldanha, infelizmente, permanece inédita. Mas o texto do Dr. Humberto Cottas (na foto comigo, com o filho do Edson Praça Mauá, Maurélio e Ronau, na inauguração do Engenhão), a quem tive o prazer de conhecer no Boteco do Ronau, é uma bela expressão dos desejos e anseios de todos os torcedores do Botafogo.

O oncologista Dr. Cottas que, me conta o César, foi o médico que atendeu o grande Waldir Cardoso Lebrego (1933-1996), o Quarentinha, quando ele deu entrada no Hospital Universitário, em 1995, logo depois de ver pela tevê o título brasileiro, escreveu uma viagem – como ele mesmo diz – imaginando a festa de inauguração que o Engenhão não teve.

Quem sabe, lendo o texto do Dr. Cottas, o próximo presidente do Botafogo se anima a organizar, com atraso mas nunca tarde demais, uma verdadeira festa de posse do Estádio Olímpico Nilton Santos/Mané Garrincha.

Por hora, abro aspas e estendo o tapete para o Dr. Cottas – cujos serviços estou dispensado desde já.

UM SONHO NO ENGENHÃO

Humberto Cottas

Esta coluna é baseada em um bate-papo informal que tive há cerca de dois meses com um amigo botafoguense, regada a algumas “mulatas geladas” (traduzindo: consumíamos cerveja belga escura). Nesta seriíssima conversa, divagávamos sobre a inépcia reinante no atual departamento de marketing do Botafogo. A conclusão foi baseada em um único fato: a ausência de exploração minimamente decente do Engenhão, inegavelmente a grande conquista da gestão Bebeto.

Você, amigo botafoguense, que já adentrou neste colosso de estádio, sentiu cair a ficha de que esta jóia pertence por 20 anos ao nosso BFR? Não é inacreditável que até hoje não houve um único evento oficial que marcasse tal conquista? Pois foi como resposta a estas perguntas que nossa viagem começou e continuei a projetá-la em meu íntimo e aqui começo a descrevê-la, na condição de evento comemorativo que poderia ter ocorrido. Segue a reportagem:

Como comemoração à recente posse do estádio olímpico conhecido como Engenhão, o Botafogo realizou talvez o maior evento de sua história para mais de 50.000 torcedores. Neste dia, a grande festa começou às 15:00, em um jogo preliminar com combinados de ex-jogadores e artistas. Entre os antigos craques lá estavam Mendonça, PC Caju, Carlos Roberto, Gérson, Roberto Miranda, Nei Conceição, Maurício, Rogério, Jairzinho, Mauro Galvão, Gottardo, Carlos Alberto Santos, Marinho Chagas, Sebastião Leônidas, Josimar, Vágner e outros.  Logo a seguir, às 17h00, assistiu-se a um vibrante jogo amistoso inaugural de posse entre o time atual do Botafogo e um combinado de jogadores de outros times da cidade, vencido pelo time anfitrião por 3 x 0, gols de Túlio, Diguinho e Jorge Henrique.


Após o jogo, houve emocionantes homenagens aos grandes botafoguenses da imprensa, tanto para os já falecidos e representados por filhos (João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó), como para os que estão entre nós (Roberto Porto, Luiz Mendes, Armando Nogueira e outros).

Todos receberam placas, assim como grandes ex-jogadores (a destacar Otavio e Adalberto, heróis ainda vivos de 48 e 57) e alguns ainda em atividade (como Túlio Maravilha, ovacionado). As alas norte, sul, leste e oeste passaram a se chamar Heleno de Freitas, Quarentinha, Garrincha e Nilton Santos, havendo belas estátuas de bronze em tamanho natural de cada um. Em relação a Nilton, presente por alguns instantes à festa e com o nome gritado pela multidão, foi entregue ao prefeito um abaixo-assinado com milhares de torcedores solicitando a adoção do nome Estádio Nilton Santos para o local.             


No início da noite, por volta de 20:00, houve o início da apoteose festiva, que contou com artistas botafoguenses anfitriões capitaneados por Stepan Nercessian em traje de gala e auxiliado por Marcelo Anthony e as belas Flavia Alessandra e Samara Felippo, além do toque de humor de Helio de La Peña.

Como 1ª. apresentação houve a entrada triunfal de Victor Biglione, “hermano” alvinegro que sofre a mesma síndrome do Alejandro Abiusi (coisas que só o Botafogo pode provocar em argentinos). O guitarrista tocou o hino botafoguense em solo distorcido de guitarra, para abrir a festa à la Jimmy Hendrix em Woodstock. Em seguida, desceram de helicóptero os ícones do samba Beth Carvalho (a eterna madrinha do Fogão) e Walter Alfaiate, que entoaram os clássicos “Botafogo Campeão” e “Vou Festejar”. Saindo do samba e voltando para o rock, adentrou a banda dos anos 80, Sangue da Cidade, para tocar a emblemática “Brilhar a Minha Estrela”, seguido por performances de funk, jazz e soul com Claudio Zoli, Vinícius Cantuária e Ed Motta. Estes deram vez a Eduardo Dusek, que entrou cercado por dezenas de vira-latas alvinegros e seus donos botafoguenses para tocar “O Rock da Cachorra” (estive lá com a minha Billie Holiday).

Ao fundo, em um grande painel e nos telões aparecia uma imagem gigantesca de Carlito Rocha com o Biriba no colo. Como encerramento apoteótico, o grande Zeca Pagodinho cantou a sua versão para o hino oficial e alguns sambas famosos, tendo ao final o acompanhamento da bateria da São Clemente, que contou com a participação de integrantes de torcidas organizadas (Fúria Jovem, Loucos pelo Botafogo, BotaChopp, TJB).



Assino embaixo, Dr. Cottas. Eu assino embaixo...

Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 23h03
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