O Blog do Roberto Porto


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Um nome para a história do Glorioso

 

Olá, pessoal!

 

Recebi do ex-companheiro de redações Albino Castro Filho, um rematado rubro-negro (e, apesar disso, meu querido amigo) uma excelente entrevista com o Cetale, um ex-jogador do Botafogo que a Camila e os meus jovens leitores não conhecem.

 

Leiam o bilhete que ele me mandou e, depois, a ótima matéria com o Cetale. As fotos foram feitas também pelo Albino, que conseguiu uma foto inédita do Cetale com “a Gloriosa”.

 

Querido amigo Robertão:
Envio-lhe texto sobre o Cetale. Espero que goste. Acho que ficou um pouco grande. Não sei. Como amigo e meu eterno chefe, pode editar o texto e deixar no tamanho e formato que achar melhor. É uma honra colaborar com o seu maravilhoso blog.
Grande abraço do amigo e admirador,
Albino

 

Cacetale Neles!

 

Grande no amor ao Botafogo e na garra com que defendia o manto alvinegro, merecendo o justo apodo de Cacetale, o paulistano Cetale, filho de pai argentino e mãe uruguaia, criado no então fabril bairro italiano da Vila Anastácio, em São Paulo, foi um dos símbolos do inesquecível bicampeonato carioca de aspirante, 1958-59, que premiou uma geração de botafoguenses, tendo como técnico Paulo Amaral, que não conseguia se firmar como titular numa equipe dominada por craques, como Nilton Santos, Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Quarentinha, Amarildo e Zagalo. 

 

Era um aspirante de respeito. Começando por Adalberto, no gol, e mais a defesa formada por Marcelo, Cetale, Paulistinha e Ademar. O meio-campo tinha Aírton e Édson (o “Praça Mauá”). O ataque poderia ser titular em qualquer time: Neivaldo (ou Bruno), Amoroso, Rossi (ou Tião Macalé) e o “possesso” Amarildo. Aqueles últimos anos dourados de um mágico Rio de Janeiro, amada capital de um Brasil mais irreverente e feliz, marcaram para sempre Cetale que, hoje, aos 69 anos, carrega na carteira, em meio a reais e amassados documentos, duas fotos onde aparece entre os titulares daquele memorável Botafogo. Ele nasceu em 23 de fevereiro de 1939 e se chama José Ortiz Cetale. Ortiz pela mãe uruguaia, filha de espanhóis, e Cetale, pelo pai argentino, de origem italiana.

 

 

Cetale voltou para São Paulo às vésperas da virada do milênio, em 1998, e viveu momentos difíceis. Chegou morar num albergue público, no bairro do Canindé, com duas mudas de roupa e uma mala de fotos dos tempos gloriosos do Botafogo... Nos momentos de desespero, e eram muitos, eu abria a minha carteira e só encontrava as duas fotos do Botafogo, recorda Cetale. Então, revirava a mala e ficava olhando minhas fotos com a camisa do Botafogo e isso ajudava a enfrentar as necessidades. Cetale já superou as dificuldades da volta a São Paulo e, hoje, é treinador das categorias de base do querido Nacional, clube da Lapa paulistana, onde recuperou a dignidade, como homem e profissional. Mas não me separo nunca de minhas fotos com a camisa do Botafogo, comenta Cetale.

 

 

Ele começou no infantil do Corinthians, em 1955, e, no ano seguinte, se tornou juvenil do Nacional, onde ficou até 1958, quando chamou a atenção de um olheiro do América, que o levou para o Rio. Treinou dois meses na velha cancha de Campos Salles e chegou a disputar um amistoso contra o Bonsucesso vestindo a camisa do diabo rubro. Tinha um estilo vigoroso que recordava Bellini, capitão campeão mundial, além de também ter sobrenome italiano e ser considerado um galã. O América, que já preparava Djalma Dias, vacilou e Cetale foi para o Botafogo levado por Nadim Marreis. Ficou até 1962 em General Severiano e em várias ocasiões foi titular, como em 1961, quando o clube conquistou o Torneio Rio-São Paulo. Excursionei o mundo inteiro com o Botafogo, lembra Cetale. Conheci mais de 50 países e naquelas viagens vivi meus melhores momentos no clube.

 

O jogo inesquecível da carreira dele foi um Milan e Botafogo, no Estádio San Siro, em Milão, no início de 1961. O Botafogo ganhou por 3 a 2 e Cetale anulou o brasileiro Mazola, campeão do mundo de 1958, chamado na Itália pelo sobrenome Altafini. Começou espanando e assustou a Mazola, que foi até Didi, companheiro da campanha da Suécia, e se queixou dele... Didi, malandramente, teria respondido ao Mazola que iria pedir ao Cetale para bater menos... E aí, quando o Mazola se afastou, o Didi chegou pra mim e disse velho, dá na orelha dele, foi o suficiente, diz Cetale. Anulei o Mazola e fiz o meu nome na Itália. Um ano depois, Cetale deixou o Botafogo e foi defender o Deportivo Cáli, onde foi campeão colombiano.

 

 

Desde então, praticamente até hoje, Cetale virou uma espécie de trottamondo, trocando de clube, de cidade e de país a cada ano. Mantendo, porém, uma única paixão no futebol. Uma paixão que já removeu montanhas na própria vida, ao encontrar forças para seguir adiante, e superar adversidades, abrindo uma mala cheia de fotos em preto e branco. Cetale nunca esqueceu o Botafogo e os botafoguenses não podem esquecê-lo. Nem que seja pelas cacetadas que dava nos adversários. 

 

Mesmo não sendo torcedor do glorioso Botafogo, assino e dou fé, como leitor desse maravilhoso blog, de meu amigo Roberto Porto, e admirador, por mais de duas décadas, entre os anos 1950 e 70, de um dos maiores times da história do futebol em todo o planeta.

 

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 

PS.: Será que a minha musa Camila Augusta saberia me dizer em que estádio foi feita a foto que abre o Blog, aquele em que o Cetale aponta uma construção que mais parece um "prato fundo"?



Escrito por Roberto Porto às 23h07
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