O Blog do Roberto Porto


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O GRANDE MANÉ GARRINCHA



O inigualável, insuperável e inesquecível Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha (1933-1983) deixou saudades em quem teve o prazer e a alegria de vê-lo jogar. Garrincha era um passarinho, um gênio, uma criança, um demônio. Era o Anjo das Pernas Tortas, a Alegria do Povo.


Jogava futebol com a simplicidade do brasileiro comum. Que gosta de mulher, samba, futebol e uma boa birita. Mané era chegado às quatro. Como era impossível marcá-lo, Mané driblava também a concentração e ia para a farra, sempre regada a mulheres e bebidas. Não foram poucas as vezes em que, já profissional e famoso, foi tirado de um bordel ou da beira de um rio na sua Pau Grande para jogar no Botafogo.

Em meu livro "Botafogo – 101 Anos de Histórias, Mitos e Superstições", fiz um capítulo em homenagem a ele: "Os Caçadores de Garrincha", onde conto uma das implacáveis caçadas a Garrincha.

Ela
ocorreu exatamente a 26 de dezembro de 1958, véspera da primeira partida, à noite, contra o Flamengo, pelo supercampeonato do Carioca daquele ano. De repente, da concentração alvinegra, na Estrada das Canoas, veio o alerta desesperado dando conta de que Mané havia desaparecido. Foi um deus-nos-acuda.


João Saldanha (1917-1990) estava furioso e ameaçava barrar o mais consagrado craque do clube. Pelo telefone, Nova Monteiro, vice-presidente médico, disse ao técnico que ficasse tranqüilo pois iria caçar Garrincha onde ele estivesse.


Dito e feito...


Nova Monteiro convocou como guia o gerente administrativo Alexandre Madureira, que conhecia na palma da mão as trilhas que levavam em direção a Pau Grande, na Raiz da Serra. E de carona, no carro de Nova Monteiro, foram dois jovens: Francisco Eduardo Nova Monteiro, filho do médico, e Luiz Carlos Albuquerque, torcedores do Botafogo e colegas de classe do hoje extinto Colégio São Fernando, na Rua Marquês de Olinda, em Botafogo.


Já era noite quando a equipe dos caçadores de Garrincha chegou a Pau Grande. Para surpresa de todos, o jogador e sua mulher Nair davam uma festa modesta festa, diga-se de passagem para um grupo de amigos. Ponderado, Madureira chamou Garrincha e mandou que ele se preparasse rapidamente para vir para o Rio.


Amedrontado com a presença do diretor do clube Nova Monteiro, Garrincha procurou apresentar, de improviso, as mais deslavadas desculpas. Disse que já estava pronto com seu material de jogo na bolsa e que pretendia tomar o primeiro trem para o Rio no dia seguinte. E explicou que a festinha estava programada há tempos e ele, como anfitrião, não poderia faltar.


Nova Monteiro, cara amarrada, não lhe deu conversa. E Garrincha, no banco de trás do carro do médico, espremido entre Francisco Eduardo e Luiz Carlos, não teve escolha. Largou a festinha pela metade e, humilde como sempre, embarcou quase à força para cumprir seus compromissos profissionais com o Botafogo.


No dia seguinte, o Botafogo perdeu de 2 a 1 pro time da beira da Lagoa e saiu do Campeonato. Mas Garrincha continuou encantando no campo e fora dele. Foi ainda bicampeão carioca pelo Botafogo e do mundo pelo Brasil.


Em terras escandinavas, Garrincha deixou um nome inesquecível e um filho, Ulf Lindberg Henrik.


Incrível quanto pareça, marcado de perto pelos dirigentes da Seleção Brasileira que já lhe conheciam a fama, Mané ficou de chamegos com uma linda suequinha, pasmem!, pelas grades da concentração do Brasil. Difícil de acreditar? Não pelo que conta Ruy Castro em sua biografia sobre Mané, confirmada pela nota que ilustra o Blog hoje.


Mané, além de bem dotado para o futebol, o era também em outros atributos. E nem a grade da concentração foi capaz de barrar o seu, digamos, ímpeto desbravador.


Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br


PS.: Neste domingo, comemoramos 12 anos da vitória no troféu Teresa Herrera, contra a Juventus da Itália. Vocês lembram, não é? Foi o dia em que o Botafogo foi campeão com a camisa do La Coruña. Coisas que... vocês sabem!




Escrito por Roberto Porto às 15h57
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A EMOÇÃO DE VER O GLORIOSO
ARRASAR O ADVERSÁRIO

Não vou dizer que o Botafogo ainda me mata, porque o Botafogo me mantém vivo, pulsante.

Ver o Glorioso jogar daquela maneira desabrida (comecei bem...), partindo para cima e envolvendo o adversário, foi bom demais, alegrou o final do domingo aqui nas lonjuras do Recreio dos Bandeirantes.

Confesso que, lendo os jornais da manhã, fiquei preocupado. Todos só falavam que o Botafogo jogaria muito desfalcado, não havia ainda ganho uma partida sequer fora do Rio de Janeiro (no Engenhão, é praticamente imbatível), como torce contra essa fla-prensa!

Fui na ficha técnica do jogo para ver, afinal, que desfalques tão assustadores seriam esses.

Ora, Renan é um ótimo goleiro e, da seleção brasileira de novos, e quando entrou deu conta do recado, certamente será o nosso titular no futuro, justo no Botafogo que teve grandes goleiros “afro-brasileiros”. Thiaguinho vem jogando bem, não sentiríamos falta de Alessandro. A dupla da zaga – Renato Silva e André Luís – até que vem jogando bem, até o Renato que, quando não dá chabu, não compromete. Não entendo bem o Zé Carlos na esquerda, preferia um lateral de ofício, mas o esquema permite que o Zé atue por ali.

O meio de campo tem sido o nosso destaque no Brasileiro, lastreado pela tremenda subida de produção do Diguinho, a recuperação do Túlio, a volta – aos poucos – do Leandro Guerreiro à forma do ano passado, além do toque de classe do Lucio Flávio e do Carlos Alberto.

Na frente, não dava para dizer que Jorge Henrique e Gil fosse um ataque desfalcado. O Jorge foi destaque ano passado, tem uma velocidade sem igual. E o Gil, que surgiu arrebentando no Corinthians, deu ao Botafogo um ingrediente que o Botafogo não tinha: o drible pra frente.

Nos primeiros minutos, me surpreendi com o esquema tático que o Ney Franco imprimiu ao time, para compensar a falta da referência de Wellington Paulista (outro que vem se recuperando) na frente da área adversária. E os dois arrebentaram com o jogo.

Em alguns momentos, achei que se o Botafogo tomasse um fôlego para cadenciar o jogo no meio de campo para o ataque, sem perder o foco de atacar, teríamos ganho de mais, porque foram muitas as chances desperdiçadas, a ponto de me fazer pensar se teríamos que lamentar mais uma boa partida sem vitória.

Enfim, deu tudo certo.

Quando foi incomodado, Renan não negou fogo. Thiaguinho acabou com eles. O meio de campo acertou tudo, Diguinho surpreende a cada dia. Mas o que mais me deixou feliz foi ver que Ney Franco é capaz de perceber as dificuldades e, modernamente, trabalhar com o que tem à mão.

Aquele Botafogo de ontem, não foi um Botafogo desfalcado, como dizia a imprensa. Foi um Botafogo reforçado pela união do grupo.

Ontem, senti um cheiro de coisa boa no ar. Vou ficar calado e quieto, com o coração aos pinotes, percebendo que pode vir coisa boa por aí.

Agora, é ganhar do Figueirense, que está próximo de nós na tabela mas, confiram as estatísticas, tem uma defesa fraca, que já tomou 32 gols no campeonato, quase o dobro do que o Botafogo. E encher o Engenhão no domingo.

Vou mandar a secretária preparar de antemão “a Gloriosa”. Domingo, estarei lá.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 10h30
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