O Blog do Roberto Porto


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MACAÉ, BIRIBA E O IO-IÔ ALVINEGRO
 


Para começar a partida, agradeço as mensagens que recebi, durante o retiro sabático que fui obrigado a cumprir.


Mas duro mesmo foi ficar longe do Glorioso. De vez em quando, eu coloco uma barba preta, pinto o bigode, enterro um chapelão na cabeça, pego um táxi, cruzo a Linha Amarela e vou ver o Botafogo no Engenhão. Chego cedo e fico quieto num canto, radinho no ouvido. Você não acredita? Então, me procure no próximo jogo, na lateral abaixo dos camarotes.


Mas contornados os problemas, volto à ativa. E, pelo tema da coluna, vocês verão, em grande estilo. Porque vamos falar do nosso trunfo maior: o mascote Biriba.


A idéia me veio quando a vi que hoje ilustra o Blog, um primor. E olha que eu não conhecia o Macaé!... Na verdade, não tinha a menor idéia que jeitão teria o Macaé. Pelo nome, imaginei um armário de seis portas, grande e forte, um zagueiro-zagueiro.


Mas, como há coisas que só acontecem ao Botafogo, olha a pinta do Macaé: como disse meu parceiro César Oliveira, é um “tarzã depois da gripe”. E o sujeito ainda me adentra ao gramado conduzindo Biriba, garboso com sua sobrecapa  com a Estrela Solitária.


Da turma que vem atrás, só reconheço Silvio Pirilo, carregando a bandeira alvinegra. Os outros, nem desconfio. O ano? Depois de 1948, claro, por causa do mascotinho.


Claro que sendo um mascote alvinegro, nosso canino companheiro de vitórias e armações só poderia mesmo ser envolto em histórias, causos que deixam atordoado qualquer torcedor menos dotado – claro, dos adversários...


Biriba surgiu como surgem as coisas no Botafogo. Parece que do nada, algo sobrenatural. Conta-se que um dia, em meio a um jogo difícil no subúrbio carioca, adentra o gramado, com pompa e circunstância, a figura serelepe do Biriba, um vira-latas preto-e-branco.


Nosso Glorioso estava perdendo e, depois que o cachorro foi pego em campo, o adversário estava frio e o Botafogo inspirado por aquele que viria a ser o seu maior mascote. Biriba deu tanta sorte que o Botafogo atropelou a história e detonou o famoso Expresso da Vitória, em General Severiano, vencendo o Campeonato de 1948.


E olha que, no jogo do turno, em São Januário – como se lá já houvesse um “eurico” – Biriba foi proibido de entrar no estádio. Pois Carlito Rocha botou-o o colo (foto famosa, abaixo) e entrou pelas cruz-maltinas roletas adentro, perguntando se o Vasco da Gama teria a coragem de barrar ali o presidente do Botafogo.


As histórias do nosso Glorioso são muitas, incontáveis, algumas inacreditáveis, têm a marca registrada, o DNA do Botafogo. Como esse cachorrinho que até hoje povoa a imaginação botafoguense, mesmo dos meninos e meninas cujos pais ainda eram crianças quando Biriba reinava em General Severiano.


O ÔxO DE DOMINGO


Havia na TV carioca, tempos atrás, um locutor cujo nome me escapa (cartas para a redação...) que se referia ao empate em zero e zero como “ôxo”, porque é isso mesmo que fica escrito no placar quando os jogadores não mandam a bola às redes.


Jogo que acaba zero a zero é sempre um saco. Convalescente, não podendo passar por emoções fortes e, confesso, meio calejado das recentes cacetadas de um time que sempre foi nosso freguês de caderno, resolvi ficar na “SofáFogo”.


Vinte minutos antes do jogo, a surpresa: Lucio Flavio no banco. Digo a vocês, com a mais sincera e honesta das intenções, que eu desconfiei na inacreditável goleada contra o garnizé mineiro, que o Ney Franco estava a fim de sacar o “maestro” do time.


Achei que estava ensaiando isso quando o tirou de campo. E quando o locutor abriu a latinha e anunciou que o Botafogo ia para campo sem Lucio, achei que Ney estava começando a botar as manguinhas de fora.


Não sei, porque não acompanho mais os treinos, se ele havia ensaiado isso, mas o Botafogo não foi bem no primeiro tempo, vocês concordam?


Está certo que Tiaguinho fez falta, que o time ainda me parece carecer de certa firmeza moral, uma necessária personalidade para se impor. Porque, convenhamos, não tem time aqui no Rio, hoje em dia, que se destaque tanto.


O Flamengo foi desmantelado com três vendas e deve se desmantelar mais ainda com a chegada do encrenqueiro Felipe, aquele mesmo que, um dia, meu amigo Fernando Calazans nomeou como “o novo Garrincha”... Mas, vamos e venhamos: o Flamengo se desmantelou pela falta de Souza, Marcinho e Renato Augusto?...


E o Fluminense, aquele dos “três tenores desafinados”? Perdeu a Libertadores e perdeu o rumo. É uma caricatura. Apostou em Yokohama e está quase indo jogar em Conceição do Mato Dentro, na Segundona. E é sempre bom lembrar que saíram dela pela janela.


O Vasco, caramba, o Vasco! O que aconteceu com o Vasco? Quem acreditava que Roberto Dinamite seria a redenção do clube da colina, deve estar preocupadíssimo com a caça às bruxas que se promove em São Januário.


Então, do que o Botafogo tinha medo no primeiro tempo contra o Flamengo. No segundo, Lucio Flavio entrou, Carlos Alberto foi pra frente (falta soltar um pouquinho mais a bola) e o Botafogo mandou no jogo.


Corajosamente, Ney Franco mandou o Botafogo atacar. E por atacar tanto – chutou mais de 20 vezes, se bem que tem que botar o pé na forma... – ficou exposto, quase tomou gols. Mas também quase fez.


Perdeu muitos, mas e aquela cabeçada do Jorge Henrique, ao melhor estilo Romário? Ele foi com tanta sede naquela bola que eu cabeceei junto e caí do sofá. Aquela, o Diego nem sabe como salvou. E mais os chutes do Wellington Paulista, a bola na trave, linda, que merecia entrar.


Poderíamos ter ganho. Grande partida do Diguinho e do Alessandro, que botou o Juan no seu lugarzinho. Túlio com altos e baixos. Carlos Alberto querendo mostrar serviço, mas eu ainda não sei o que pensar desse rapaz. Jorge Henrique me parece fora de posição.


Jogamos bem, muito bem, contra o São Paulo... e perdemos. Jogamos mal pra caramba contra o Atlético Mineiro... e goleamos.


Mas o time está se ajustando. Fora um ou outro, não tem bicho-papão. Para título, não dá pra pensar, não. Mas uma Libertadores... ah! isso eu acho que dá pra sonhar, sim. Ainda mais se o time treinar mais finalizações.


Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br 



Escrito por Roberto Porto às 11h23
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