O Blog do Roberto Porto


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INCRÍVEL!
Da Sérvia... para o Rio de Janeiro

Que o Glorioso Botafogo é conhecido no mundo inteiro, não é novidade. Através deste blog e de e-mails recebo correspondência dos quatro cantos do globo. A foto que ilustra o Blog hoje me foi enviada de presente pelo (imaginem?) sérvio Milan Băsic, para quem – a pedido dele – mandei pela internet uma grande foto do Botafogo. Foi feita, vê-se, em General Severiano, em jogo oficial do Campeonato Carioca de 1959.

Ele, certamente, me remeteu a capa ou contra-capa de uma revista sérvia e decidi repassá-la aos alvinegros mais velhos e fanáticos como eu como uma prova inconteste (bela palavra, não?) de que o velho Botafogo não cansado de guerra é popular até na Sérvia, nação que integrou a antiga Iugoslávia, na época do temido marechal Tito.

O time posado para a foto está formado (de pé) com Ernâni (ex-Vasco da Gama), Antônio Correia Thomé, Servílio, Nílton Santos, Edson (não é o Praça Mauá, como verão adiante) e Cacá. Agachados, na mesma ordem, Manoel Garrincha dos Santos, Paulo Valentim (cultivando um bigodinho), Mestre Valdir Pereira, Valdir Cardoso Quarentinha Lebrego e Mário Jorge Lobo Zagallo.

A rigor, pelo que conversei com meu antigo ídolo e hoje amigo Ronald Alzuguir, o time jogava com Ernani; Cacá, Thomé, Servílio e Nílton Santos; Édson, Didi e Zagallo; Mané Fenomenal Garrincha dos Santos, Paulo Catimba Valentim e Quarentinha.

O amigo Ronald – belo e lutador jogador de meio-campo – (hoje odontólogo em Copacabana, num consultório onde cultiva imagens do seu tempo de jogador – tirou minha dúvida. O Édson que aparece na foto, para formar o meio-campo com Didi e Zagallo, não é, como possam imaginar, o famoso Praça Mauá (apelido que Neyvaldo Carvalho, já falecido lhe deu). Trata-se de um Édson Genérico que jogou pouco no Botafogo e formou-se em odontologia como ele, Ronald.

O time, como a própria revista diz, é de 1959, um ano depois de deixar escapar entre os dedos o título carioca do super-super que ficou com o Vasco da Gama. Mas que o ataque é maravilhoso, não se discute. É, aliás – eu que não saía do Maracanã – o melhor ataque do Botafogo de todos os tempos, fazendo páreo com Rogério Ventilador, Gérson, Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César.

É óbvio que o tempo passou e já não temos três atacantes, como Paulo Catimba Valentim, Quarenta e Amarildo. Infelizmente temos apenas dois, pois os alas (antigos laterais) têm a função de jogar pelas extremas. Eu pensei que quem tinha inventado esse tal de ala (Tony Boy como exemplo) tinha sido Cláudio Coutinho. Mas em conversa longa pelo telefone, Zagallo me garantiu que toda a Europa já jogava assim e que Coutinho apenas aplicou na Seleção Brasileira de 1978 o estilo do Velho Mundo. E em nem um minuto sequer Zagallo criticou Coutinho, seu companheiro na inesquecível campanha de 1970.

Aliás, em 1970, Paulo César Lima foi o primeiro jogador brasileiro a se valer da chamada regra três, entrando no lugar de Gérson, que sentiu a coxa na partida contra a antiga Tchecoslováquia, hoje também dividida. Mas o documento enviado pelo sérvio, que se diz apaixonado pelo Botafogo, é sensacional, isso é. E dou de presente aos leitores do blog.

Saudações Botafoguenses (do cada vez mais botafoguense)

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 12h11
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 Uma vitória esmagadora
— 40 Anos de uma Conquista —

Foi um domingo de muita chuva aquele do dia nove de junho de 1968. Como o Jornal do Brasil só saía às terças-feiras, fiz de tudo para arrumar uma companhia para ir ao Maracanã. Estava em São Paulo, a serviço – não me perguntem fazendo o quê – e na vinda para o Rio, às pressas, me encontrei no Electra II da Varig com um antigo colega do Instituto São Fernando, Léo Affonseca, infelizmente falecido jovem demais. Botafoguense fanático, Léo batia uma bola redondinha nas peladas e, pelo que me recordo, já estava trabalhando para o Grupo Peixoto de Castro. Aqui, foi aquele drama: ninguém para ir comigo ao Maracanã. Decidi encarar o mau tempo e parti para o maior do mundo sozinho mesmo. Foi uma festa inesquecível.

O Glorioso meteu 2 a 0 no primeiro tempo – na baliza à esquerda – gols de  Roberto e Rogério Ventilador e mais dois na etapa final, com Jairzinho e Gérson cobrando uma falta de maneira magistral. Fiquei desorientado, correndo pelas arquibancadas do Maracanã e eis que de repente, não mais do que de repente, me encontro com meu irmão Maurício Porto, também sozinho, mas apaixonado como nunca. Quase rolamos pelas arquibancadas. Na volta, sempre aos gritos de Botafogo, dei uma carona a ele. Desse jogo não me esquecerei jamais. A torcida do Vasco – sempre à direita das tribunas – não emitia um único e escasso som. Quatro a zero foi demais.

Para os mais jovens – como Camila Augusta e Paola Coutinho – esclareço que foi o primeiro Campeonato Carioca da era profissional onde foram permitidas substituições (na Copa do Mundo só em 1970). Mas de nada adiantaria porque no quarto gol, aos 22 minutos do segundo tempo, Armandinho Marques, sempre meio histérico, expulsou todo o banco do Botafogo, que invadira o gramado para comemorar a vitória e o bicampeonato. Se Zagallo, a partir daí, tivesse necessidade de trocar alguém, não poderia. O Glorioso teria que jogar com 10.

O time, cuja foto abre este Blog comemorativo (de pé, esq. pra dir.), era: Moreira (lateral-direito), Cao, Zé Carlos (central pela direita), o grande Sebastião Leônidas, Carlos Roberto (nosso técnico campeão de 2006, tremendo cabeça-de-área) e Valtecir (o pai da Ticiana), na lateral-esquerda; e o ataque – que ataque! –arrasava com Rogério Hetmanek (com o mascote Marquinhos), Gérson “Canhotinha de Ouro” (cuja foto, levantando a Taça, fecha este Blog), o valente e competente Roberto Miranda (que prestigiou o lançamento do meu livro em Niterói), Jairzinho “Furacão da Copa” e Paulo César Lima, o “Caju”. O técnico era o “Velho Lobo”, meu amigo Mário Jorge.

Foi uma campanha espetacular: 18 jogos, 15 vitórias, uma derrota (para o Vasco, no turno), e dois empates. Hoje, século 21, já se passaram 40 anos daquela verdadeira epopéia, principalmente porque foi sobre o Vasco da Gama. E marcou época por causa das substituições permitidas. Sob o aspecto estritamente esportivo, foi ruim, porque matou literalmente o gigantesco time de aspirantes que o Botafogo tinha. Um clube – não só o Botafogo – poderia manter um elenco tão numeroso. E daquele time de aspirantes igualmente inesquecível guardo os nomes de Ronald Alzugyr – me telefonou dia desses – o falecido Paulistinha, Augusto Macarrão, Cetale, Rossi, Amoroso, China, Amarildo e tantos outros. Não havia quem segurasse aquele aspirante do Botafogo. Até Zagallo jogou nele em 1958.

E para aqueles que não conhecem a história do futebol carioca, termino com uma curiosidade: foram os aspirantes do Botafogo, que deram um baile nos titulares num treino em General Severiano, que inventaram o olé. Eles estavam numa excursão na América do Sul e aprenderam a sacanagem com a torcida local quando o Botafogo tocava a bola contra seus adversários. Por isso, de brincadeira, chegando ao Rio, brindaram os titulares com o olé que estavam aplicando. Em resumo: conhecer a história do Botafogo é fácil. Saber de tudo o que ocorria em General Severiano é que é uma tarefa difícil.

Parabéns, Botafogo, nas quatro décadas de mais um de seus títulos históricos!

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 

 



Escrito por Roberto Porto às 15h48
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