O Blog do Roberto Porto


Blog Comemorativo

Cinqüentenário
de um título histórico

Já disse aqui que nasci em Botafogo (óbvio ululante), passei uns tempos na Urca (Rua Joaquim Caetano) e depois fui parar na Rua das Laranjeiras, esquina com a Rua Tibagi (Cidade do Paraná), que mudou o nome para Rua Rubén Dario (poeta nicaragüense) e, por fim, na Rua Eugênio Hussak (geólogo que ajudou a situar o Planalto Central como local ideal para a futura capital do País, Brasília).

Mas, apesar da extrema proximidade do Fluminense Football Club, tínhamos naquele simpático beco uma bela colônia alvinegra: meus irmãos Carlos e Maurício e eu, Roberto Santana, Luiz Eduardo e Nélson Paes Leme (que viria a ser pai do jornalista João Pedro, da TV Globo), Hugo Bousquet, Sílvio Dominguez e César Dragonero, entre os que me recordo. Mas havia, também, muitos torcedores do Fluminense.

Há quase 50 anos, na tarde quente de um domingo, 22 de dezembro de 1957, eu, Roberto Santana e César Dragonero (que já nos deixou) tomamos o rumo do Maracanã, onde o Botafogo de Futebol e Regatas, dirigido por João Saldanha, iria decidir o título carioca do ano. Como o Botafogo (abaixo), fomos de ônibus.

A campanha do clube de General Severiano não era das mais fantásticas: uma derrota (1 a 0) no turno para o Fluminense; um empate e uma derrota (3 a 0) para o Vasco; dois empates com o Flamengo e um com o Bangu, o que, na época, somava oito pontos perdidos, contra sete do Tricolor, dirigido por Sílvio Pirillo, e apontado como favorito absoluto.

Nas vésperas da partida, ocorreu o inesperado. O dirigente do Fluminense Aílton Machado, falastrão, deu uma entrevista dizendo que na partida Flamengo x Vasco – que não valia mais nada – deveriam sortear entre os torcedores dos dois grandes clubes geladeiras, televisões, rádios e outros brindes.

O resultado é que na final, a Charanga Rubro-Negra, de Jaime de Carvalho, e Ramalho, vascaíno e com o toque característico de seu talo de mamão, juntaram-se à torcida do Botafogo, na época chefiada por Otacílio Batista do Nascimento, apelidado de Tarzã. Nesse dia, já tão distante – meio século – 122 mil pessoas pagaram ingresso para assistir ao duelo.

Não foi bem um duelo, claro. Já no primeiro tempo, o Botafogo vencia por 3 a 0, com três gols de Paulo Catimba Valentim, o terceiro deles de bicicleta (foto que abre este Blog Comemorativo). No início da etapa final, o Fluminense, que precisava apenas do empate, fez 3 a 1, com Escurinho. Mas logo a seguir, Paulo Valentim marcou 4 a 1, Garrincha passou por Altair e Clóvis e colocou 5 a 1 no placar e novamente Paulo Valentim fuzilou Castilho (à direita das tribunas), com o 6 a 1. Já nos descontos, Valdo reduziu para 6 a 2. Em poucas e resumidas palavras, eu, Roberto e César – morto num desastre de carro, em Ipanema, anos depois – fomos literalmente à loucura. Foi o primeiro título carioca do Botafogo no Maracanã, com recorde de goleadas numa decisão.

(continua abaixo)



Escrito por Roberto Porto às 11h26
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de um título histórico

(continuação)

Tempos depois, conversando com Telê Santana na praia do Leme – Telê ficou meu amigo e companheiro de corridas no calçadão – soube que ele e Didi, velhos companheiros, trocaram pontapés no círculo central fora das vistas de Alberto da Gama Malcher, o árbitro. Telê – segundo me relatou – logo após o quarto gol alvinegro, chamou Nílton Santos e Didi e pediu que os dois não mais permitissem o baile que Garrincha dava pela ponta. Não sei se Didi e Nílton chegaram a falar com Mané. Mas será que ele obedeceria?

Particularmente, espero que o Botafogo comemore em sua sede essa vitória histórica em dezembro. O time campeão? Está abaixo, numa foto inédita, antológica, do meu saudoso amigo Arhur Parahyba. Vamos lá: Adalberto, Beto, Thomé, Servílio e Nílton Santos; Pampolini, Didi e Édson Praça Mauá; Garrincha, Paulo Catimba Valentim (o camisa 8) e Quarentinha.

Dá para esquecer? Sinceramente, não.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

PS.: Leia mais abaixo uma declaração de amor explícito ao Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas!
Clique aqui e leia a minha coluna no Botafogo no Coração. E aqui para ler a minha coluna na ESPN Brasil.



Escrito por Roberto Porto às 11h21
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Cinqüentenário
de um título histórico

(final)

Semana passada, recebi da jovem botafoguense Juliana Mendonça Carneiro, 19 anos, de Niterói (RJ), estudante de Comunicação Social, o poema que reproduzo abaixo, com a mesma emoção com que foi escrito. Muito grato, Juliana!

 

O amor de Juliana

Ó meu único e eterno amor! Grande tu és e para sempre serás! Nada apagará a tua chama do meu coração, o orgulho de torcer por ti meu fogão! Cometo erros e me deixo entristecer, mas é porque sei que "não podes perder, perder para ninguém!”. Perdoa-me Glorioso, se o rejeitei e lhe disse que de ti me envergonhei. Foi um equívoco, pois hoje mais do que nunca me arrependo e digo que para sempre, todo o sempre o amarei. Não me deixes mais fraquejar! Seja herói em cada jogo e faça com que a Estrela Solitária siga sempre a brilhar.

Que essa mesma estrela solitária conduza-o a glórias mil, pois é um orgulho para muitos desse imenso Brasil. Alvinegro, tu tens o mais belo manto sagrado de todos, não se deixe desbotar! Não apagues teu passado de glórias, retribuas com um futuro de vitórias! Perdão, amado meu! Meu coração é para sempre teu! Pela estrada dos louros, para sempre o seguirei! Aonde quer que estejas eu também estarei!

BOTAFOGO, BOTAFOGO!

POR ISSO QUE TU ÉS E HÁS DE SER MEU IMENSO PRAZER!

Ó, GLORIOSO!

QUANTO MAIS EU VIVO, MAIS EU TE AMO!

(Juliana Mendonça Carneiro)

 

 



Escrito por Roberto Porto às 11h14
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