O Blog do Roberto Porto


Botafogo, um clube cheio de histórias

O Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas – não é necessário repetir – é o clube das histórias. Muitas delas me foram passadas por João Saldanha (1917-1990) e Sandro Moreyra (1919-1987), com os quais trabalhei anos consecutivos no Jornal do Brasil. Outras, bem mais verdadeiras, me foram contadas pelo companheiro Luiz Mendes, com quem tive a satisfação de batalhar na velha e poderosa Rádio Nacional. Mendes, por exemplo, para que os alvinegros leitores deste Blog fiquem sabendo, simplesmente narrou ao vivo para o Brasil a estréia de Heleno de Freitas pelo Boca Juniors de Buenos Aires.

Outras tantas simplesmente por Nílton Santos, de quem fiquei amigo e tive a honra de saudá-lo no último dia oito de dezembro – aniversário da fusão dos dois Botafogo – aceitando especial convite do diretor de marketing do clube, Jefferson Mello, para a Tarde Literária do Botafogo, que ele promete repetir no próximo Feijão no Fogão, reunindo livros e autores de todos os livros sobre o Glorioso, certamente o clube brasileiro que inspirou a maior produção editorial dos clubes nacionais.

A primeira de hoje é de Nílton dos Santos, o verdadeiro nome da Enciclopédia.

Em 1956, ao perceber que o Botafogo, num trabalho de bastidores do incansável João Saldanha, iria formar um time forte, compatível com suas tradições, ficou feliz ao saber que o alvinegro já havia contratado Paulo Valentim (1932-1984), Valdir Pereira, o Mestre Didi (1928-2001), e mais os estrangeiros Elger Alarcón (argentino) e Cañete (paraguaio). Assim, tomou coragem e sugeriu ao dirigente Adhemar Bebiano um esforço para trazer Zizinho (1922-2002), seu amigo e companheiro de Seleção Brasileira. Nílton ficou logo imaginando um ataque com Garrincha, Zizinho, Paulo Valentim (ou Alarcón), Didi e Cañete. Zizinho, na época, havia brigado no Bangu e preferia jogar no Botafogo do que ir parar no São Paulo.

Bebiano olhou Nílton Santos da cabeça aos pés e saiu-se com essa:

– “Zizinho jamais jogará no Botafogo...”

Nílton, claro, quis saber a razão. E Bebiano concluiu:

– “Num Botafogo x Flamengo, aqui em General Severiano, ele deu um chute no nosso mascote Biriba...”

Foi assim que Zizinho foi para o São Paulo, onde sagrou-se campeão paulista de 1957...

A segunda história é sobre Sandro Luciano Moreyra.

Numa excursão à Europa, o ponteiro-esquerdo Hélio, que tinha o apelido de Boca de Sandália, quis saber há quanto tempo o Botafogo estava viajando. Sandro, percebendo que Hélio perdera a noção do tempo, disse:

– “Estamos viajando há cinco meses...”

Hélio ficou perplexo e revelou que sua mulher já deveria tê-lo esquecido. Sandro então sugeriu:

– “Escreve uma carta para ela...”

E Hélio finalizou:

– “Pior de tudo é que já esqueci o endereço lá de casa...”

Na foto de hoje, de 1955, pouco antes da viagem, estão, pela ordem, Lugano, Thomé, Nílton Santos, Orlando Maia, Danilo e Ruarinho (de pé); e Garrincha, Quarentinha, Vinícius, Dino da Costa e Hélio – o Boca de Sandália, agachados.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 07h59
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Nílton Santos disse, está falado...

Certa vez, em uma de minhas muitas conversas com Nílton Santos, ele me disse que o melhor zagueiro-central com quem jogara, em sua longa carreira (17 anos) no Botafogo, fora o argentino Basso – Oscar Alberto Américo Basso – no Campeonato Carioca de 1950. Confesso que, mesmo surpreso, não pude apresentar sequer um argumento. Eu era garoto (10 anos) e fui poucas vezes com meu tio ao recém-inaugurado Maracanã. Imaginei que ele fosse me dizer que teria sido Gérson dos Santos, com quem fora campeão em 1948.

Naquela época, ou pouco mais tarde, com Heleno de Freitas, Gérson dos Santos, Braguinha, Geninho, Juvenal, Neivaldo Carvalho, Carlyle Guimarães Cardoso, Américo Pampolini, Luiz Vinícius de Meneses e outros, o Botafogo ficara conhecido como o clube dos mineiros, embora, particularmente ache que a popularidade do Glorioso em Minas Gerais (Juiz de Fora, especialmente) venha do Atlético Mineiro, alvinegro quase idêntico ao Botafogo.

A belíssima foto que ilustra este Blog – que já ultrapassou 17 mil acessos, o que me deixa muito grato a todos vocês, botafoguenses e torcedores de outros clubes que o lêem – é do dia 25 de novembro de 1950, quando o Botafogo venceu o Madureira por 3 a 0, gols de Válter, Néca e Zezinho. E para aqueles que não reconhecem os jogadores, lá estão, de pé, da esquerda para a direita, Carlito Roberto, Oscar Basso, o sorridente Osvaldo Baliza, Nílton dos Santos (seu verdadeiro nome), Osvaldo Ávila e Rubem Machado Ramos, o Rubinho; agachados, também na mesma ordem, Manoel dos Santos Vitorino, o Néca, Moisés Ferreira Alves, o Zezinho, Ariosto Perlingeiro, Otávio Sérgio de Moraes e Válter da Costa e Silva (evidentemente, sem qualquer parentesco com o ex-presidente do Brasil, Arthur da Costa e Silva, 1902-1969).

Na prática, o Botafogo, de meias e calções brancos e vestindo uma belíssima camisa – embora o escudo fosse pequeno demais para meu gosto – jogava com Osvaldo Baliza, Rubinho, Basso e Nílton Santos; Ávila e Carlito Roberto; Zezinho, Néca, Ariosto, Otávio e Braguinha. Carlito Roberto fazia uma espécie de contenção e o meio-campo jogava com Ávila e Néca. O Campeonato Carioca, mal organizado como sempre, só foi terminar em 1951 e o Botafogo deu uma particular ajuda à conquista do bicampeonato ao Vasco, derrotando o Bangu de Zizinho (4 a 3) e o América de Maneco (2 a 1) que perseguiam mais de perto o clube da Cruz de Malta.

A essa altura, início de 1951, já fazia sucesso absoluto a música Está Faltando Um, gravada para o Carnaval por Dalva de Oliveira e composta por Paulo Soledade e Fernando Lobo, em homenagem ao botafoguense Eduardo Martins de Oliveira, o famoso Comandante Edu da Panair do Brasil, que, aos 34 anos, morreu num desastre de seu Constellation na chegada a Porto Alegre, a 28 de agosto do ano anterior, 12 dias exatos após a derrota da Seleção Brasileira de Fávio Costa (1906-1999) para Obdúlio Varella, Gigghia e Schiaffino, entre os uruguaios.

Em meu livro Botafogo: 101 Anos de Histórias, Mitos e Superstições, conto com detalhes e fotos exclusivos a vida do Comandante Edu, integrante da Turma dos Cafajestes, e parceiro de Heleno de Freitas nas noites de Copacabana.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 16h26
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Duas Pequenas Correções

Na sexta-feira, dia oito, aniversário (64 anos) da fusão do Club de Regatas Botafogo (1º. de julho de 1894) com o Botafogo Football Club (12 de agosto de 1904), formando o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, depois da missa celebrada no Salão Nobre de General Severiano, tive a difícil incumbência de fazer uma saudação ao grande Nílton Santos.

Na ocasião, movido pela emoção com a presença de Nílton e sua mulher Célia, cometi o equívoco de misturar duas partidas contra o Mais Querido, ambas importantes na carreira do jogador que, durante 17 anos, só vestiu três camisas: Botafogo, Seleção Brasileira e Seleção Carioca. Mas, através deste Blog, vamos fazer as devidas e necessárias correções para os membros do Conselho que lá estavam.

No turno do Campeonato Carioca de 1956, com 10 homens – Thomé quebrou o braço e não havia substituições – o Botafogo derrotou o Flamengo por 5 a 0. Foi um choque para a torcida rubro-negra que sonhava com um possível tetracampeonato 1953-54-55-56. No returno, o Simpaticíssimo veio louco para a vingança e Zagallo, então jogador da Gávea, prometeu um baile tão grande no Glorioso que, inclusive, iria sentar na bola. Não foi isso o que ocorreu. O Botafogo venceu por 1 a 0, gol do ponta-esquerda paraguaio Cañete. Pior: com o resultado, o Vasco da Gama foi campeão por antecipação e seus dirigentes comemoraram o título já nas tribunas do Maracanã.

Oito anos depois, em 1964, com Nílton Santos vestindo pela última vez a camisa alvinegra no Maracanã, a situação era a seguinte: se vencesse o jogo, o Flamengo seria bicampeão carioca; se empatasse, estaria classificado para um supercampeonato com Fluminense e Bangu; e, se perdesse, iria para o espaço sideral. E foi o que aconteceu, com um gol de Roberto Miranda (na foto, comemorando o gol com Jairzinho), de cabeça, no segundo tempo, após um cruzamento de Mura, em direção à baliza à direita das tribunas. Marcial, goleiro do Simpaticíssimo, saltou mas não viu a cor da bola. Na decisão do título, após duas vitórias, o Tricolor conquistou o título. Foi mais uma das muitas peças que o Glorioso pregou em seu rival.

No ano seguinte, 1965, campeão por antecipação – o Botafogo que já não contava com Nílton Santos – o Flamengo preparou toda uma festa para comemorar o título, com seu time dirigido por Flávio Costa. Mas o resultado não poderia ser outro: Botafogo 1 a 0, gol de Gérson, que passou pela boca do túnel do Mais Querido e provocou Flávio Costa, um dos responsáveis diretos por sua saída da Gávea em 1963.

Está pois corrigido o o eqívoco que cometi diante de meu herói Nílton Santos.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 11h50
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