O Blog do Roberto Porto


Mudança de endereço na Web

Amigos,

Estou de mudança para outro Blog depois de tirar umas férias.

Volto hoje à noite em novo endereço:

Blog do Roberto Porto
http://blogdorobertoporto.blogspot.com

Saudações Botafoguenses

Roberto Porto



Escrito por Roberto Porto às 07h55
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Bonde do Tinhoso arria os quatro pneus
e Fla-prensa detona o chororô

Na manhã da última segunda-feira, um destacamento da PM que regressava de uma perigosa incursão numa das comunidades da Zona Norte do Rio, descobriu um "carro" (foto) abandonado nas proximidades do Sambódromo. Pelas cores do Tinhoso, o tenente logo o identificou como um dos veículos da caravana de torcedores rubro-negros que foram a Belo Horizonte assistir ao jogo Cruzeiro x Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Mas um sargento, acostumado à leitura das seções de esporte dos jornais do Rio, levantou a hipótese de que o automóvel pertenceria à Fla-Prensa.

Formou-se então uma confusão: a região é ocupada por vários órgãos da imprensa (Lance, O Globo, Jornal dos Sports, Extra, O Dia) e o veículo poderia pertencer a qualquer uma das facções de periodistas que integram os já citados órgãos da imprensa. Diante do impasse, a solução foi rebocar o Tinhoso (apelido que o carro ganhou de estalo) para um depósito de ferro-velho no Caju, à espera de seu ou de seus proprietários. Com a derrota do Flamengo, até hoje – ou pelo menos enquanto escrevo estas linhas – ninguém se apresentou para resgatar o estranho e medonho bólido.

De volta à partida, que tirou do Flamengo a mais remota possibilidade de conquistar o título, devo esclarecer, a bem da verdade, que assisti diversas vezes ao polêmico lance entre Diego Tardelli e Léo Fortunato e cheguei à conclusão de que o árbitro Carlos Eugênio Simon, que estava em cima da jogada, que Diego Tardeli simulou ter sido derrubado pelo adversário, tentando, claramente, arrumar um pênalti. Carlos Eugênio Simon, agora, será denunciado à FIFA pelo clube da beira da Lagoa, acostumado à arbitragens que sempre o favoreceram nos jogos decisivos.

A Fla-Prensa está rigorosamente em polvorosa. Alguns cronistas mais exaltados querem a imediata prisão de Simon, já que o resultado do jogo – o Cruzeiro ganhou fácil por 3 a 2 – não pode ser alterado. Tudo porque a Fla- Prensa só admite árbitros caseiros, como, por exemplo, Djalma Beltrami, principalmente se ele, Beltrami, foi auxiliado por Wilson Moutinho. Outros, ligeiramente mais ponderados, querem a realização de um novo confronto, desta vez no Maracanã, a fim de evitar a gigantesca torcida do Cruzeiro que compareceu ao Mineirão e empurrou seu time à vitória incontestável.

De minha parte, sempre vendo o futebol de maneira imparcial, acho que as reclamações rubro-negras são improcedentes – na hora imaginei que fosse pênalti – e só espero que o São Paulo Futebol Clube conquiste o seu hexacampeonato, calando, pelo menos por algum tempo, a fúria rubro-negra. E para encerrar por hoje, só por hoje, volto ao automóvel abandonado no Sambódromo – o veículo está sendo periciado porque há suspeitas de que foi furtado. Que carrinho feio, aquele, heim? Ninguém, em sã consciência pode passar por ele e não levar um susto daqueles.

Arre égua, Satanás...

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 23h10
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Chororô finalmente muda de lado

Dedico esta coluna a todos os integrantes da Fla-Prensa como antecipado presente de Natal.

Habituado eternamente a ser ajudado pelas arbitragens nos últimos anos, o Flamengo – jogadores, dirigentes, torcedores e a conhecida Fla-Prensa – foram à loucura, no Mineirão, quando o árbitro Carlos Eugênio Simon deixou de marcar um pênalti claro sobre Tardeli no derradeiro minuto da partida contra o Cruzeiro, na qual perdeu e ficou fora da disputa pelo título. É a tal história, embora tenha vindo com atraso de pelo menos três anos: pau que bate em Chico também bate em Francisco. E o chororô – sempre tão atribuído ao Botafogo – mudou de lado. Agora se instalou na Gávea.

De minha parte, com a maior honestidade possível, estava disposto a torcer pelo Flamengo. Mas minutos antes de o jogo começar, tive um estalo digno do padre Antônio Vieira. Por que, como carioca, apoiar o Flamengo? Foi então que me dei conta de que boa parte da família Porto mora em Minas Gerais (Uberlândia) e que meu amigo da ESPN Cláudio Arreguy é cruzeirense e botafoguense. Aí, caros amigos do blog, fiquei sem opção. Torci fervorosamente pelo Cruzeiro e fui dormir triplamente satisfeito: com a derrota do mascarado time do Flamengo, com o pênalti não marcado e com as expulsões de campo de Tardeli e Fábio Luciano. Que maravilha...

A Fla-Prensa rapidamente esqueceu o trabalho sórdido da dupla Moutinho-Beltrami – e de outros rubro-negros – em jogos decisivos contra o Botafogo. Mas aposto todos os meus miseráveis tostões que Carlos Eugênio Simon será crucificado (como os romanos faziam com seus inimigos) ou empalado (como o conde Dracul praticava na Transilvânia, região da atual Romênia). O gaúcho Simon jamais será perdoado pela Fla-Prensa, que chegou a aproveitar um take de vídeo da televisão para provar, no jornal, que houve o tal pênalti em Tardeli. Mas, repito, como o castigo vem a cavalo, chegou a hora do clube da beira da Lagoa desatar no chororô.

Por outro lado, senti a derrota do Vasco frente ao São Paulo diante de uma fanática multidão de cruzmaltinos que lotou São Januário. Gosto de Roberto Dinamite – embora tenha sido algoz do Botafogo – principalmente porque ele é honesto e o substituto de Eurico Miranda. Como Eurico no comando, alguma coisa abominável aconteceria em São Januário, relembrando 2000, por ocasião da final contra o modesto São Caetano. Mas tenho esperanças, embora que remotas, de que o Vasco não cairá para a segunda divisão. Seria um prêmio à honestidade de Dinamite que, certamente, será alvo de um tiroteio comando por Eurico Miranda e seus asseclas se o clube despencar. Mas o mascarado Renato Gaúcho merece.

Mas a satisfação de ver o Flamengo fora da luta pelo título é inenarrável, principalmente com as expulsões de Tardeli e Fábio Luciano, este último depois de a partida acabar. Realmente, há coisas que só acontecem ao Botafogo, mas há outras que demoram mas um dia desabam sobre o rubro-negro da beira da Lagoa. E nada melhor do que um pênalti não marcado no último minuto de jogo. Trata-se de um fato inesquecível.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 

PS.: "Pedro, vá arrumar um emprego" – mas de revisor-assessor do meu Blog... :)



Escrito por Roberto Porto às 09h43
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Os números do Botafogo até hoje

Do jeito que anda o Botafogo, não tenho gosto de ampliar este blog. São derrotas sucessivas, expulsões de campo e um terrível disse-me-disse sobre quem sai e quem fica no clube entre os jogadores. Mas não me conformo com a contratação do argentino Zárate.

E saibam vocês todos deste blog que já assisti a atuações de jogadores medonhos vestindo a gloriosa camisa da estrela solitária. São pouco mais de seis décadas de arquibancada – detesto a tribuna da imprensa – e posso dizer isso: o Zárate é o recorde absoluto em matéria de ruindade, desleixo com a forma física e pouca intimidade com a bola.

Mas vamos deixar de lado o Zárate – uma piada de mau gosto – e falar na totalidade de jogos do Botafogo de 1904 até hoje, 2008.

Só tenho estes números graças à dedicação de Pedro Varanda, a quem considero a maior autoridade sobre o Botafogo – depois de Alceu Mendes de Oliveira Castro, autor do livro “O Futebol no Botafogo – 1904-1950”.

Infelizmente, quando passava matérias para todos os jornais, fazendo o papel de autêntico assessor de imprensa – eu estava vestindo a camisa do JS nessa época – eis que Bebeto de Freitas o demitiu, apesar dos meus apelos – e, modestamente – conselhos, pedidos para que não o fizesse. Por quê? Não tenho a menor idéia. Como também não sei porque fui defenestrado do Botafogo no Coração.

Mas vamos aos números do Varanda, a quem chamo de Marechal Varanda.

De 1904 até hoje o Botafogo de Futebol e Regatas (nome que o clube adotou a oito de dezembro de 1942, ao fundirem-se o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo Futebol Clube) disputou

4.869 partidas

no Brasil e no mundo. E seu aproveitamento, em percentuais, é o seguinte:

vitórias – 50,40%

empates – 24,17%

derrotas – 25,42%

Estatisticamente, o Botafogo sempre entra em campo com chances (de não perder) de

74,57%!

Mas fiquem todos atentos porque o Marechal está sempre atualizando sua lista e os números podem mudar.

Particularmente, faço a maior fé no Botafogo com Maurício Assumpção na presidência (com Manoel Renha, Beto Macedo e outros apaixonados alvinegros). Pelo que ouvi dele, pessoalmente, tomando café na Confeitaria Colombo e pelo que ouço falar, acredito que o Botafogo vai se reencontrar com seu glorioso destino de vitórias.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

PS.: Meu parceiro, assessor, medianeiro de boa-fé e nenhuma intimidade com a bola, César – com acento – Oliveira, me manda o convite para o lançamento de “O artilheiro que não sorria”, biografia do Quarentinha, escrita pelo Rafael Casé (que, com o Roberto Falcão, produziu “100 Anos Gloriosos – Almanaque do Centenário do Botafogo”). Vai ser dia 8 de dezembro, segunda-feira, a partir das 19 horas, na livraria do Unibanco Arteplex (na Praia de Botafogo); e no sábado seguinte, dia 13, a partir das 11 da matina, na Fogão Shop de Brasília.

Dei entrevistas para o Casé para este livro, estou lá – modestamente, como não poderia deixar de ser. Assisti a primeira partida – e o primeiro gol – do Quarentinha no Botafogo. Um pênalti cobrado com tamanha violência que quase me fez cair da cadeira.

O setor de imprensa do Maracanã fez “oh!” quando a bola quase arrancou a cabeça do lendário goleiro argentino José Poy (1926-1996), o Rogério Ceni dos anos 50-60 do São Paulo.

Em homenagem ao livro, o blog hoje vai ilustrado pelo meu sobrinho Pedro Porto, tremendo designer e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro, ótimo garoto. A caricatura dele está no livro do Casé.



Escrito por Roberto Porto às 21h18
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O Botafogo não pode ser vaiado

Grande parte da torcida (?) do Botafogo que assistiu ao empate com o Estudiantes de La Plata no Engenhão – com a conseqüente eliminação do Glorioso da Copa Sul-Americana – teve uma atitude que considero extremamente covarde: vaiou o time quase que o tempo inteiro. Jamais passou pela cabeça desses alvinegros de araque que os jogadores estão entrando em campo com mais de três meses de salários atrasados e que, mesmo assim, fazem o que podem e o que não podem pelo clube. Na noite de quarta-feira o time lutou mas tomou um gol logo de saída e isso foi decisivo para toda a atuação. O empate de 2 a 2, a meu ver, diante da catimba argentina, foi até um excelente resultado apesar do que ocorreu.

Escrevo isso porque em quase seis décadas de amor pelo Botafogo, jamais vaiei um único e escasso time ou jogador, porque o que está em jogo é a camisa alvinegra que deveria ser amada por todos – sem exceção. Durante minha carreira como botafoguense – orgulhoso e apaixonado ao extremo – só uma vez deixei o Maracanã antes do apito final, pois já não mais suportava a goleada que o Flamengo nos aplicava. Foi em 1959, quando perdemos por 6 a 2. Recordo-me que ainda na rampa, na triste saída do estádio, o rubro-negro ainda marcou seu sexto gol, para meu desespero. Mas vaiar o time – repito mil vezes – nunca vaiei nem vaiarei.

Com que ânimo esse time sem salários, com os nervos à flor da pele – não sai dos 49 pontos ganhos – vai encarar justamente o Flamengo, que luta para incluir-se na Taça Libertadores? Que ânimo terá para receber mais vaias e xingamentos? Sinceramente, para um apaixonado eterno como eu, os que vaiaram o Botafogo não são botafoguenses de fibra, de coração e de sangue preto e branco. Devem procurar imediatamente outro clube para torcer. Que tal o próprio Flamengo? De minha parte, garanto: fico triste, durmo mal – às vezes tomo um comprimido para me acalmar – mas vaiar nunca. O Botafogo é uma de minhas razões de viver e será assim até o apito final. Que me perdoem os leitores deste blog, mas vaiar um time como o atual Botafogo é covardia. Covardia que chega às raias da canalhice.

Sou e sempre serei Botafogo, nas vitórias, empates e derrotas. E não traio o meu amor. Quando vejo aquela camisa, aquela bandeira, fico emocionado. Esqueço política interna, erros e acertos, candidatos ou presidentes e torço fervorosamente. Vaia é coisa de mau caráter.

E quem quiser que reclame comigo. Tenho moral para escrever o que escrevo. São quase seis décadas de paixão irrefreável. E não troco o meu amado Botafogo por nada desse mundo.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 



Escrito por Roberto Porto às 20h44
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Um Clube à beira do abismo

Leitores – os mais diversos – têm reclamado comigo sobre a estagnação de meu blog. Não lhes tiro a razão. Estou decepcionado com o Botafogo, mergulhado numa de suas habituais e aborrecidas crises internas. Sinceramente, vou escrever sobre o quê? A vergonha inominável dos salários atrasados? Sobre os inacreditáveis pontos perdidos em derrotas e empates neste Campeonato Brasileiro? Sobre a formação de uma chapa única presidida por um cavalheiro rigorosamente desconhecido?

 

O Botafogo – e a frase não é minha – realmente tem a vocação do erro.

 

Se escrever sobre o Botafogo dos velhos tempos, muitos dos jovens alvinegros de hoje não conseguirão mergulhar no tempo e passarão batidos pelo blog. Ontem mesmo, acreditem ou não, um torcedor do Glorioso na Hungria – é isso mesmo, na Hungria – me passou um e-mail, com duas fotos. Ele, que é doutor, não sei se médico, escreve em inglês e me solicitou, de maneira mais do que educada, que eu identificasse times formados de 1956 e 1961. Para mim, que torço pelo Botafogo há mais de 60 anos, foi muito fácil. Sem um único e escasso erro, respondi a ele imediatamente.

 

Não posso ficar aqui falando de Heleno de Freitas, Garrincha, Didi, Nílton Santos e inúmeros outros quando meu tão querido clube está quase pedindo esmolas para não se transformar num América ou Bangu. Montenegro e Renha, que eram minhas esperanças, tiraram seus times de campo. Sobre Bebeto de Freitas não falo pois não posso provar sua má administração. Sobre a nova vergonha na Argentina, diante do Estudiantes de La Plata, prefiro me calar. Vou escrever sobre a vitória sobre o Ipatinga? Tenham paciência mas derrotar o lanterna, mesmo na casa dele, não passa de uma obrigação. E aí? Vocês querem que aborde que assunto?

 

Vejam todos, pelos jornais, como o Botafogo perdeu espaço. E quando conquista algumas poucas linhas, só noticiam desmanches do time, saídas de Jorge Henrique e Diguinho, contusões graves como a de Castillo e explicações ridículas do ridículo Zárate, um centroavante tão gordo quanto o saudoso Bussunda,da Rede Globo. Aliás, aqui fica uma pergunta que não quer calar: quem contratou esse balofo como reforço para o Botafogo? E a briga, ou quase briga, entre Lúcio Flávio e Carlos Alberto? Alguém tem uma explicação para mais essa vergonha, essa divisão interna?

 

Com a mais sincera das verdades, não me animo a falar do Botafogo. Por quê? Porque não gosto de apontar a metralhadora giratória exatamente sobre a maior paixão imaterial de minha vida. Não gosto e não vou apertar o gatilho. Daí porque o blog – o meu blog – está estacionado. Pelo menos até que o Botafogo tome vergonha e torne a assumir ares de clube grande. Mas sei de antemão que esse objetivo está distante, para minha tristeza e de milhares de torcedores que já nem comparecem aos jogos do clube.

 

Em poucas e resumidas palavras, o Botafogo está jogado às traças.

 

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 

PS-1: Não tenho a menor idéia de quem é o cidadão apontado como candidato único à presidência. Sei apenas que não gosto do vice que, certa vez, distribuiu panfletos contra mim no início de uma reunião do conselho deliberativo. Foi um ato covarde e escroto (desculpem o termo mas é plenamente aplicável). Tempos depois, sem querer (havia muita gente em volta) eu o cumprimentei na quadra da Vila Isabel, que homenageava Nílton dos Santos, nosso ídolo eterno. Quando liguei o nome à pessoa, já era.

 

PS-2: É com profundo pesar que noticio a trágica morte do tricolor Maurício Coelho Neto, meu colega por anos a fio no Instituto São Fernando. Canhoto, chute fortíssimo, Maurício me dava um enorme trabalho para marcá-lo. Há tempos, nos falamos por telefone e lembramo-nos de nossos duelos, quase sempre perdidos por mim. Que a terra lhe seja leve, Maurício. E meus pêsames para seu irmão Paulo Henrique, outro que dividiu comigo, em sala, alegrias e tristezas no São Fernando. Guardo com carinho fotos dos dois, que moravam na Rua Coelho Neto, a dois passos da Pinheiro Machado e do Fluminense.



Escrito por Roberto Porto às 22h43
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Um pedido ao Botafogo

Para começo de conversa, não pense que deixei de amar você. Cada ano que passa, esse amor aumenta e às vezes dói. Dói tanto que depois de derrota para o Grêmio, eu, veterano de tantas batalhas, fui me deitar depois do jogo. Ficar acordado para quê? Para me lembrar de mais uma derrota? Nunca. Fiz como fazia quando criança: tomei o rumo do quarto e não quis saber de comentários, repetições de gols e a queda vertiginosa na classificação.

Mas enquanto o sono não vinha – que tormento.... – ficava me lembrando de outros Botafogo a que assisti ao longo de tantas décadas, tanto em General Severiano quanto no Maracanã, recém construído. Você, Botafogo do meu coração, me remete hoje aos tempos de Gato, Casnock, Arlindo Baiaco, para não citar Orlando Pingo de Ouro (em final de carreira) e Joel, que foi defenestrado do Fluminense. E do Botafogo que passou 20 anos sem chegar ao título da cidade. Sofri como o diabo, Botafogo, saiba disso...

Acho isso uma injustiça comigo.

Cadê aquele Botafogo vitorioso de Garrincha, Amarildo, Didi, Quarentinha e Zagallo? Cadê aquele Botafogo do mestre e Enciclopédia do Futebol Nílton dos Santos? Não voltará jamais? Cadê o Botafogo de Túlio Boquirroto Maravilha? Cadê o Botafogo de Donizete, Maurício e até de Bebeto, que veio lá da Beira da Lagoa? Cadê o Botafogo orgulhoso de Geninho, Heleno de Freitas, Otávio Sérgio, Ávila, Bob e Juvenal, que molhavam a camisa com sangue?

Você ainda tem sangue, Botafogo?

Cadê o Botafogo de João Saldanha, Sandro Luciano Moreyra, Nélson My Boy Borges, Geraldo Romualdo da Silva e tantos outros? Morreu, acabou? Não faça isso comigo, Botafogo...Nem comigo nem com milhões de alvinegros espalhados por esse Brasil. Eles amam você de paixão. Não faça, repito, essa maldade com meus descendentes – Roby e Rafael Porto, filho e neto. Eles vão pensar que passei a eles uma mentira, Botafogo. E você não é uma mentira, Botafogo. Você existe e já foi campeão brasileiro.

Não faça essa sacanagem com o César Oliveira, que luta tanto para ver você lá em cima, lembrando sempre de seu saudoso pai com a camisa de Paulo Catimba Valentim em 1957. Tenha amor por si próprio. Olhe sua linda sede – que beleza, heim? – dê um pulo na sala lá de baixo e veja os troféus que já conquistou. Talvez isso lhe dê um estímulo.

Certa vez, Neivaldo – grande amigo que se foi muito cedo – me contou uma história de um jogo seu (Botafogo) contra o Vasco. Ele chegou mancando no vestiário e o doutor Lídio disse que ia cortar a chuteira dele para tratar o inchaço. Você, Botafogo, não deve ter escutado isso. Neivaldo disse ao médico que não cortasse. Por quê? Porque se cortasse ele não agüentaria voltar para o segundo tempo. Mas voltou assim mesmo, no peito, na raça e no amor pela estrela solitária (a família dele é toda de botafoguenses).

Não me maltrate mais Botafogo. Já não tenho idade para isso. Mas fique certo de uma coisa: ninguém haverá de calar o meu amor por você. Você, Botafogo, repito mil vezes, é e será o maior imaterial de minha vida.

Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br

PS.: Superadas as dificuldades informáticas do meu esquizofrênico assessor para assuntos blogueiros, volta o meu Blog com uma cara decente e compatível com o nosso amor ao Botafogo. Para essa reentrada na atmosfera, César Oliveira ofereceu esta foto que comprova que somos todos mesmo muito loucos pelo Botafogo. O Daniel Pinheiro, de São Paulo, mandou esta foto... adivinhem de onde? O seu quarto de dormir na Paulicéia Desvairada! Vai ser Botafoguense assim no Vale do Anhangabaú, ô meu!



Escrito por Roberto Porto às 00h23
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Ano que vem, "eles" jogam às terças e sextas.



Não é de hoje que o outrora aristocrático clube do bairro de Laranjeiras vem perdendo o rumo. Na verdade, a coisa é bem antiga. Tão antiga quanto o seu mais incensado torcedor, Benício, considerado símbolo do Fluminense, cuja frase máxima dizia que “bom mesmo era vencer um título roubado, de preferência com um gol irregular, com a mão”.


Daí, vocês podem perceber que o símbolo deles era tão sem ética quanto os dirigentes dos dias atuais. Duvidam? Por hoje, só por hoje, vou lhes contar uma.


Há alguns anos, quando era o treinador da moda no Brasil, Oswaldo de Oliveira foi contratado pelo tricolor. Tempos depois, por conta dessa gangorra assassina que vitima técnicos, ele foi demitido e foi-se embora com toda a sua entourage.


Passados alguns dias, um advogado tricolor, consultando o Diário Oficial por motivos profissionais, vê uma pequenina nota em que Oswaldo de Oliveira era acusado de “abandono de emprego”. O artifício – sei eu que me formei em Direito (e, sabem vocês, joguei o canudo para o alto e fui ser jornalista para ficar mais perto do Botafogo) – serviria para não pagar ao profissional todos os seus direitos. Alertado, Oswaldo providenciou o reparo e, decentemente, evitou maiores confusões.


De lá a essa parte, parece que pouco mudou. O tricolor das Laranjeiras, faz coisas que fariam João Coelho Netto (1905-1979), o Preguinho, filho do escritor Coelho Netto, corar de vergonha.


Eles se vangloriam do “Rei do Tapetão”, o advogado José Carlos Vilella (1928-2000), que ganhava causas no tribunal de justiça desportiva mesmo quando não tinha razão ou direitos. Sabendo como as coisas são feitas hoje na justiça desportiva, dos procuradores que eles têm por lá, podemos imaginar como esse rei fazia as coisas acontecerem em prol do Fluminense.


Agora, depois que o seu presidente declara que tem pavor das torcidas organizadas, medo de morrer, que dá ingressos mesmo porque tem medo delas, aí então caiu a casa, a máscara, a vergonha. O pó-de-arroz azedou de vez.


O clube dos vitrais históricos – que há muito deixaram de ser os originais pelas pedradas da torcida insana que, volta e meia, vai lá quebrá-los quando o time não vai bem em campo – perdeu o rumo e o prumo.


Contratou três tenores e eles desafinaram no seu dó de peito. Acolheu o traíra Dodô Femproporex – este na esperança de que, pelos braços da trinca Horcades-Teixeira-Blatter, pudesse escapar da suspensão por doping que, me dizem pessoas confiáveis, era esperada, líquida e certa.


Agora, como parte de uma pusilânime armação, passando recibo dos novos tempos que o Fluminense vive, torcedores idiotas do tricolor das Laranjeiras promoveram um quebra-quebra nas cadeiras do Engenhão.


“Cambuta de fedapadas!”, diria deles um antigo cartunista. Invejosos, baderneiros e enrustidos, digo eu. Não têm estádio e quebram o dos outros. Safados também os arremedos de “procura-dores” e “magistrados” do tribunal, que vão deixar a baixaria passar incólume.


Alguns imbecis dizem que o Engenhão não é nosso. Não é o que diz o contrato da licitação que o Glorioso venceu. É nosso por mais 19 anos.


Como último ato da tragédia anunciada, o timinho que só venceu seis partidas em todo o Campeonato Brasileiro, está praticamente rebaixado.


Tem 80% de chance de mandar os seus joguinhos, ano que vem, na várzea, no Aterro, em Carapicuíba, Conceição do Mato Dentro, na PQP. Menos no Engenhão, porque não têm compostura nem modos.


E eu vou abrir uma cervejota, aquela que desce redondo, para comemorar a volta deles à Segundona. De onde só saíram por armações e falcatruas que lhe são renitentes na história.


Saudações Botafoguenses,


Roberto Porto


portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 18h53
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O novo livro do incansável Roberto Assaf

Meu amigo Roberto Assaf é um sensacional jornalista, um cuidadoso historiador e um flamenguista desses que acorda no dia do aniversário do Zico e deseja "Feliz Natal!" para a família.

Na quarta-feira passada, Assaf lançou, pela Lance Publicações, seu mais recente livro – HISTÓRIA COMPLETA DO BRASILEIRÃO – AS GLÓRIAS DOS CAMPEÕES, um belo paralelepípedo de 392 páginas, com capa dura, em edição limitada e preço que beiraria o salgado se não valesse cada centavo (R$89). O torcedor Botafoguense, como eu, pode optar por adquirir o livro com uma sobrecapa botafoguense (fundo preto, estrela branca). Originalmente, o livro tem capa branca e uma estrela dourada (foto que abre o Blog).

HISTÓRIA COMPLETA DO BRASILEIRÃO conta tudo sobre o Campeonato Brasileiro de Futebol desde sua primeira edição, em 1971, até o campeonato de 2007. No ano de 1995, vocês sabem, estamos nós lá, num evento que – tenho certeza – se repetirá em breve com o mesmo presidente campeão.

 

O prefácio é de Juca Kfouri e o livro tem edição única e limitada. São 392 páginas contendo numeralha completa com resultados de todos os jogos, campanha completa do Campeão com empates, vitórias, derrotas, gols pró e contra, jogadores campeões,  números do campeonato, artilheiros e colocação dos times. E mais uma galeria com fotos dos personagens mais importantes das 37 edições, regulamento ano a ano e principais curiosidades, além do personagm mais importante de cada ano com foto e lista de conquistas.

Impossibilitado de me mandar das lonjuras do Recreio dos Bandeirantes, em meio ao temporal digno do 5º. ato do Rigoletto (como diria o iconoclasta e tricolor Nélson Rodrigues), aproveitei que meu parceiro César Oliveira, o esquizofrênico do Canal Botafogo, estava indo para a efeméride e pedi que me representasse (foto abaixo), além de providenciar um exemplar, devidamente autografado, para fortalecer minha biblioteca sobre futebol.

Os próximos livros do Assaf serão lançados pela www.livrosdefutebol.com, do César. A reedição, revista e ampliada, do lendário e absolutamente esgotado livro do Assaf (e do Clovis Martins) sobre o Campeonato Carioca (que se chamará Campeonato Carioca – 100 Anos de História) e o esperado livro sobre a história dos clássicos Botafogo vs Flamengo (e eu já estou na pole position da fila para adquirir o meu). Ambos sairão no primeiro semestre de 2009.

Ao Assaf e à Clarisse Ivo, coordenadora da publicação, o meu abraço. A vocês, que se interessam pela história do futebol brasileiro, recomendo fortemente a compra do livro.

Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 13h38
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Botafogo, eu te amo!

A foto acima, que me foi enviada pelo amigo e colaborador Renan Gavioli, não é apenas mais uma foto do imortal Botafogo de Futebol e Regatas. Amassada, riscada e envelhecida, ela tem simplesmente 55 anos e foi batida no Maracanã exatamente no dia 6 de setembro de 1953, véspera do tradicional feriado da Independência.

Nesse dia, o Glorioso espancou o Simpaticíssimo por 3 a 0, dando um banho de bola, com gols de Vinícius, Garrincha (pênalti) e Dino. No gol de Garrincha, Garcia defendeu, a bola voltou e Mané, um simples novato, mergulhou de cabeça e estufou as redes do clube da Beira da Lagoa. Parabéns, Gavioli, seu arquivo é realmente implacável e a foto vai assim mesmo amassada e riscada. Ela merece.

Vamos identificar os heróis alvinegros? Pois então lá vai com nome completo e tudo: de pé, Gérson dos Santos, Gílson Mussi, Nílton dos Santos, Arati Pedro Viana, Robert (Bob) James Neil e Juvenal Francisco Dias; agachados, Manoel (Garrincha) Francisco dos Santos, Ephigenio (Geninho) de Freitas Bahiense, Dino da Costa, Carlyle Guimarães Cardoso e Luiz Vinícius de Menezes. O time da Gávea não era fraco, não: Garcia, Leoni e Pavão; Marinho (ex-Botafogo), Dequinha e Jordan; Joel Martins (ex-Botafogo), Rubens, Índio, Benitez (paraguaio importado) e, simplesmente, Mário Jorge Velho Lobo Zagallo, que iria para General Severiano após a Copa do Mundo de 58.

Infelizmente, por razões que já não me recordo – e olhem que tenho uma memória razoável – não pude assistir a esse massacre. Mas, com certeza, meu querido tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) estava lá, já sabendo que iria gerar, entre os Porto que viriam depois, bem mais do que um time de futebol. Eu estava em Barão de Javari – distrito de Miguel Pereira (RJ) – mas ouvi a partida colado no rádio, vibrando a cada gol do meu amado, eterno e inesquecível Botafogo. Comigo, convidados para o feriado que viria, estavam os irmão tricolores Ulysses e Eduardo Baptista Vianna, meus companheiros do Instituto São Fernando, infelizmente tricolores.

Ulysses, aos 21 anos, teve um fim trágico. Morreu num desastre de automóvel em Petrópolis. Eduardo está aí e é simplesmente presidente do Country Club, ali no Leblon. Justiça se faça aos dois, torceram desesperadamente pelo Botafogo e comemoraram comigo a vitória. Essa simples descrição – incluindo a morte de Ulysses, meu amigaço – acaba de me trazer lágrimas aos olhos. No acidente, morreram mais três rapazes, todos jovens como Ulysses. Só um que estava no jipe escapou. Mas o destino é o destino. E ele não quis que Ulysses, que à época do desastre já estava cursando Engenharia, continuasse entre nós.

Saudades, companheiro.

O Botafogo, é lógico, jogou com Gílson, Arati, Gérson e Nílton Santos; Bob, Geninho e Juvenal; Garrincha, Dino, Carlyle e Vinícius.

Obrigado pela oportunidade de mostrar como eu já amava o Botafogo, Gavioli.

Cinqüenta e três anos depois, estou pior – se é que isso é possível. Não posso ver a gloriosa sem me emocionar. E confirmo: só do meu lado, os Porto são alvinegros: eu, meu filho Roby (narrador da Sportv) e meus netos Rafael e Gaia. E também meus irmãos Carlos (autor do projeto do Engenhão) e Maurício (designer). Tenho até um sobrinho, Bruno Porto, que vive na China e é o chefe da Shangai-Fogo. É mole ou vocês querem mais?

Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br

PS-1: Não posso deixar de registrar, com alegria, o nascimento de JOÃO ABIUSI, neto de Nino,  filho de Cecília e Alejandro (o mais botafoguense dos hermanos – ou o mais hermano dos botafoguenses?). O pequeno João veio ao mundo nas Laranjeiras, mas é carioca de trocentos mil costados, veio nascer aqui por decisão da mãe e do pai. Um beijo para Cecília e Alejandro. Que João seja feliz!

 

PS-2: Meu amigo Carlos Augusto Montenegro está de volta à Presidência do Botafogo. Que alegria a minha, eu que o conheci ainda de calças curtas quando o pai dele, fundador do Ibope, o levava à minha casa para que ele visse minha coleção de fotos do Botafogo. Carlos Augusto era só um menino, mas já um entusiasmado, apaixonado Botafoguense. Bem-vindo de volta, Campeão! O Botafogo só tem a lucrar. Para mim, Carlinhos, era você ou Renha!

PS-3: O Blog foi pro ar hoje e recebo um e-mail da Andréa, filha do grande Fausto Wolff, que além de um tremendo jornalista, era também um baita escritor. Fomos surpreendidos pela revelação do Albino Castro de que Fausto era botafoguense roxo. Vejam o email que ela me mandou:


Caro Roberto,
Fiquei muito emocionada ao ver a mensagem do Albino Castro a respeito do meu pai, Fausto Wolff, publicada em seu blog. Sei que poucos conheceram o lado torcedor do Faustão, mas ele existia e sempre vestiu a camisa alvi-negra com a estrela solitária. Era muito comum, depois de vários chopps, entoarmos juntos o hino do Botafogo, talvez o mais bonito do futebol brasileiro. Depois, a cantoria enveredava por caminhos diferentes que desembocavam, invariavelmente, no hino da Internacional. Música, aliás, que acompanhou o velório do Fausto, devidamente executada pela Banda de Ipanema, que compareceu em peso.
Forte abraço,
Andréa



Escrito por Roberto Porto às 16h31
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O marketing do Engenhão

Em sua coluna no Canal Botafogo, que escreve desde 2004 embora jornalista não seja, meu parceiro César Oliveira inventou esta semana uma maneira, simpática – segundo ele –, de deixar de ser vidraça.

Abriu um espaço semanal para os seus muitos e incontáveis leitores, alguns que gostam dele – cada um sabe aonde coloca seus afetos, vai entender... –, outros que simplesmente o xingam ou chamam de esquizofrênico, virtude que – aqui entre nós – não acho esteja entre os seus múltiplos defeitos.

Mas vai que o maluco inventou de abrir um espaço semanal para seus leitores escreverem o que quiserem. Pelo menos nessa primeira semana. Ele pretende que os leitores contribuam com textos pró e contra um tema que ele vai propor. Na próxima, já dentro do Horário Eleitoral Gratuito do Canal Botafogo ele simplesmente dá a notícia – que eu também fiquei sabendo –, que o meu amigo de longa data, Carlos Augusto Montenegro será o candidato único do Botafogo à próxima eleição.

Apóio com alegria a decisão do Montenegro, não apenas porque seja amigo dele ou porque nossos pais tenham sido muito amigos (Carlinhos ia à minha casa, ainda muito garoto e ficava vendo minha coleção de notícias e fotos do Botafogo). Acho que, se não fosse o Manoel Renha, teria mesmo que ser o Montenegro, nosso presidente campeão brasileiro. Ou pelo menos alguém dessa equipe de colaboradores que carregou o piano do Botafogo nesses tempos próximos. Não pode ser é algumas dessas barangas que nos foram apresentadas. Não falo do JP Filgueira, porque sei de fontes fidedignas do empenho que ele teve para que o Engenhão se tornasse a casa do Botafogo. Mas alguns dos saltimbancos que se apresentaram... pelo amor de Deus. Um deles, pelo menos, quase sentiu o peso do meu punho direito numa reunião do CD, quando eu ainda era chegado a um desforço físico.

Mas, voltando ao Canal Botafogo, gostei muito dos quatro textos selecionados, a beleza de texto do Carlos Vilarinho, cuja alentada biografia do João Saldanha, infelizmente, permanece inédita. Mas o texto do Dr. Humberto Cottas (na foto comigo, com o filho do Edson Praça Mauá, Maurélio e Ronau, na inauguração do Engenhão), a quem tive o prazer de conhecer no Boteco do Ronau, é uma bela expressão dos desejos e anseios de todos os torcedores do Botafogo.

O oncologista Dr. Cottas que, me conta o César, foi o médico que atendeu o grande Waldir Cardoso Lebrego (1933-1996), o Quarentinha, quando ele deu entrada no Hospital Universitário, em 1995, logo depois de ver pela tevê o título brasileiro, escreveu uma viagem – como ele mesmo diz – imaginando a festa de inauguração que o Engenhão não teve.

Quem sabe, lendo o texto do Dr. Cottas, o próximo presidente do Botafogo se anima a organizar, com atraso mas nunca tarde demais, uma verdadeira festa de posse do Estádio Olímpico Nilton Santos/Mané Garrincha.

Por hora, abro aspas e estendo o tapete para o Dr. Cottas – cujos serviços estou dispensado desde já.

UM SONHO NO ENGENHÃO

Humberto Cottas

Esta coluna é baseada em um bate-papo informal que tive há cerca de dois meses com um amigo botafoguense, regada a algumas “mulatas geladas” (traduzindo: consumíamos cerveja belga escura). Nesta seriíssima conversa, divagávamos sobre a inépcia reinante no atual departamento de marketing do Botafogo. A conclusão foi baseada em um único fato: a ausência de exploração minimamente decente do Engenhão, inegavelmente a grande conquista da gestão Bebeto.

Você, amigo botafoguense, que já adentrou neste colosso de estádio, sentiu cair a ficha de que esta jóia pertence por 20 anos ao nosso BFR? Não é inacreditável que até hoje não houve um único evento oficial que marcasse tal conquista? Pois foi como resposta a estas perguntas que nossa viagem começou e continuei a projetá-la em meu íntimo e aqui começo a descrevê-la, na condição de evento comemorativo que poderia ter ocorrido. Segue a reportagem:

Como comemoração à recente posse do estádio olímpico conhecido como Engenhão, o Botafogo realizou talvez o maior evento de sua história para mais de 50.000 torcedores. Neste dia, a grande festa começou às 15:00, em um jogo preliminar com combinados de ex-jogadores e artistas. Entre os antigos craques lá estavam Mendonça, PC Caju, Carlos Roberto, Gérson, Roberto Miranda, Nei Conceição, Maurício, Rogério, Jairzinho, Mauro Galvão, Gottardo, Carlos Alberto Santos, Marinho Chagas, Sebastião Leônidas, Josimar, Vágner e outros.  Logo a seguir, às 17h00, assistiu-se a um vibrante jogo amistoso inaugural de posse entre o time atual do Botafogo e um combinado de jogadores de outros times da cidade, vencido pelo time anfitrião por 3 x 0, gols de Túlio, Diguinho e Jorge Henrique.


Após o jogo, houve emocionantes homenagens aos grandes botafoguenses da imprensa, tanto para os já falecidos e representados por filhos (João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó), como para os que estão entre nós (Roberto Porto, Luiz Mendes, Armando Nogueira e outros).

Todos receberam placas, assim como grandes ex-jogadores (a destacar Otavio e Adalberto, heróis ainda vivos de 48 e 57) e alguns ainda em atividade (como Túlio Maravilha, ovacionado). As alas norte, sul, leste e oeste passaram a se chamar Heleno de Freitas, Quarentinha, Garrincha e Nilton Santos, havendo belas estátuas de bronze em tamanho natural de cada um. Em relação a Nilton, presente por alguns instantes à festa e com o nome gritado pela multidão, foi entregue ao prefeito um abaixo-assinado com milhares de torcedores solicitando a adoção do nome Estádio Nilton Santos para o local.             


No início da noite, por volta de 20:00, houve o início da apoteose festiva, que contou com artistas botafoguenses anfitriões capitaneados por Stepan Nercessian em traje de gala e auxiliado por Marcelo Anthony e as belas Flavia Alessandra e Samara Felippo, além do toque de humor de Helio de La Peña.

Como 1ª. apresentação houve a entrada triunfal de Victor Biglione, “hermano” alvinegro que sofre a mesma síndrome do Alejandro Abiusi (coisas que só o Botafogo pode provocar em argentinos). O guitarrista tocou o hino botafoguense em solo distorcido de guitarra, para abrir a festa à la Jimmy Hendrix em Woodstock. Em seguida, desceram de helicóptero os ícones do samba Beth Carvalho (a eterna madrinha do Fogão) e Walter Alfaiate, que entoaram os clássicos “Botafogo Campeão” e “Vou Festejar”. Saindo do samba e voltando para o rock, adentrou a banda dos anos 80, Sangue da Cidade, para tocar a emblemática “Brilhar a Minha Estrela”, seguido por performances de funk, jazz e soul com Claudio Zoli, Vinícius Cantuária e Ed Motta. Estes deram vez a Eduardo Dusek, que entrou cercado por dezenas de vira-latas alvinegros e seus donos botafoguenses para tocar “O Rock da Cachorra” (estive lá com a minha Billie Holiday).

Ao fundo, em um grande painel e nos telões aparecia uma imagem gigantesca de Carlito Rocha com o Biriba no colo. Como encerramento apoteótico, o grande Zeca Pagodinho cantou a sua versão para o hino oficial e alguns sambas famosos, tendo ao final o acompanhamento da bateria da São Clemente, que contou com a participação de integrantes de torcidas organizadas (Fúria Jovem, Loucos pelo Botafogo, BotaChopp, TJB).



Assino embaixo, Dr. Cottas. Eu assino embaixo...

Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 23h03
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Eu mato a cobra e mostro o pau
(com todo respeito, claro)


Foto de Brasil 7 a 1 Colômbia, em 1960, no Maracanã.
O ataque é Vanderlei, China, Manoelzinho, Gérson Canhotinha de Ouro e Germano.
Gérson não foi aos Jogos Olímpicos de Roma porque já era uma revelação
daquele time da beira da Lagoa e porque tinha (ainda tem...) pavor de avião.

O destino de China...

O jornalista botafoguense Ciro Câmara me mandou a matéria que o jornal O Povo, de Fortaleza (CE), onde ele trabalha, publicou com a história do primeiro cearense a disputar os Jogos Olímpicos. E quem pensava que a resposta era o jogador de vôlei de praia Franco, em Atlanta (1996), enganou-se. O esporte que estreou o Ceará nos Jogos foi o futebol. Adivinhem por qual time jogava ele, o China? (o texto é do jornalista Bruno Formiga).

"A participação cearense em jogos olímpicos beira o insignificante. Pelos registros do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em 29 Olimpíadas (na era moderna) apenas seis cearenses integraram as delegações nacionais. Mas ao contrário do que muita gente imaginava, o primeiro atleta do Estado a disputar os Jogos não foi o jogador de vôlei de praia Franco. Quem debutou o Ceará na maior competição esportiva do planeta foi o futebol, há 48 anos.

O nome de José Ricardo da Silva tem mais importância do que parece. "China", como era conhecido nos tempos de jogador, é, provavelmente, o primeiro cearense a ter disputado os jogos olímpicos. Antes dele, nos registros do COB, não há outro.

Com fama de goleador, "China" disputou o torneio de futebol nas Olimpíadas de Roma, em 1960. Mas a seleção do então técnico campeão mundial, Vicente Feola, fracassou. O Brasil foi eliminado pela Itália na primeira fase (na época, só o primeiro de cada grupo passava).

Segundo o gerente de memória e acervo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Antônio Carlos Napoleão, "China" só atuou pela seleção olímpica. Nas estatísticas, ele jogou 17 partidas e marcou 18 vezes. Com ele, o Brasil ganhou nove, empatou um e perdeu sete jogos. O cearense ainda foi medalha de prata no Pan de 1959, em Chicago/EUA.

A carreira de "China" foi além da seleção. No início da década de 1960 ele estava no Botafogo, onde atuou ao lado de Didi, Garrincha e Nilton Santos. Depois, fez sucesso na Europa, quando foi contratado pela Sampdoria/ITA. Lá, passou três temporadas (1962 a 1965) e marcou 29 gols. O desempenho atraiu o interesse da Roma. Na capital italiana, "China" ficou um ano e fez três gols. De lá, passeou por pequenos clubes até voltar ao Brasil.

No Bangu, do Rio de Janeiro, "China" ficou de 1969 a 1972. Em seguida resolveu tentar a sorte no futebol suíço. "Depois disso, nós aqui não temos mais registros dele. Só Deus e ele podem saber o seu destino", revela Antônio Carlos Napoleão. Na Federação Cearense de Futebol (FCF), não há registros de José Ricardo da Silva, o "China".

Segundo o jornalista carioca, Roberto Porto, comentarista da ESPN Brasil, o jogador já faleceu. Mas as lembranças do atacante são boas. "China não tinha espaço naquele Botafogo gigantesco. Mas era um centroavante entrão e marcava gols", diz. "No dia 3 de janeiro de 62 (eu estava no Maraca) ele entrou no segundo tempo de um Botafogo 3x0 Santos, no lugar de 40 (Quarentinha), e deixou sua marca. O Maraca tinha umas 150 mil pessoas", conta, cheio de saudades.".

Morre um Botafoguense, surge um novo "causo"



Meu amigo Albino Castro Filho, cuja matéria sobre o Cetale fez tanto sucesso, me manda outra. Inacreditável. Aspas para ele:

Querido Roberto Porto:
Estive neste final de semana no Rio por causa da morte de Fausto Wolf, pai da minha mulher, a Andrea, filha única do teuto-gaúcho que deixou nove viúvas... Pensei em ligar para você e tentar lhe ver, mas não deu, foi muito corrido, pois tive que me envolver na burocracia do velório, no S. J. Batista, e na cremação, no Caju. O Fausto, como vc sabe, não era chegado ao nobre e viril esporte pretão (pérola do anedotário da pauta do SBT nos anos 1990...). As únicas referências futeboleiras que encontrei no apartamento dele, à Avenida Atlântica, quase esquina de Francisco Sá, foram duas canecas de chope do Botafogo e uma foto de Heleno de Freitas, com o uniforme do Glorioso. Achei que você gostaria de saber disso. Nunca havia desconfiado que algo em comum existia entre Fausto Wolf, o Botafogo e Heleno de Freitas.
Grande abraço,
Albino

E eu digo: que surpresa, hein? Faustin von Wolffenbutel era botafoguense. Que São Carlito Rocha das Gemadas Milagrosas lhe providencie uma recepção à altura, com todos as personagens e personalidades botafoguenses que já nos deixaram. São tantas e tão engrandecedoras do clube que haja espaço para listá-los! Daria uma lista maior que os "18 da Kombi".

Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br

 


 



Escrito por Roberto Porto às 23h17
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Um nome para a história do Glorioso

 

Olá, pessoal!

 

Recebi do ex-companheiro de redações Albino Castro Filho, um rematado rubro-negro (e, apesar disso, meu querido amigo) uma excelente entrevista com o Cetale, um ex-jogador do Botafogo que a Camila e os meus jovens leitores não conhecem.

 

Leiam o bilhete que ele me mandou e, depois, a ótima matéria com o Cetale. As fotos foram feitas também pelo Albino, que conseguiu uma foto inédita do Cetale com “a Gloriosa”.

 

Querido amigo Robertão:
Envio-lhe texto sobre o Cetale. Espero que goste. Acho que ficou um pouco grande. Não sei. Como amigo e meu eterno chefe, pode editar o texto e deixar no tamanho e formato que achar melhor. É uma honra colaborar com o seu maravilhoso blog.
Grande abraço do amigo e admirador,
Albino

 

Cacetale Neles!

 

Grande no amor ao Botafogo e na garra com que defendia o manto alvinegro, merecendo o justo apodo de Cacetale, o paulistano Cetale, filho de pai argentino e mãe uruguaia, criado no então fabril bairro italiano da Vila Anastácio, em São Paulo, foi um dos símbolos do inesquecível bicampeonato carioca de aspirante, 1958-59, que premiou uma geração de botafoguenses, tendo como técnico Paulo Amaral, que não conseguia se firmar como titular numa equipe dominada por craques, como Nilton Santos, Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Quarentinha, Amarildo e Zagalo. 

 

Era um aspirante de respeito. Começando por Adalberto, no gol, e mais a defesa formada por Marcelo, Cetale, Paulistinha e Ademar. O meio-campo tinha Aírton e Édson (o “Praça Mauá”). O ataque poderia ser titular em qualquer time: Neivaldo (ou Bruno), Amoroso, Rossi (ou Tião Macalé) e o “possesso” Amarildo. Aqueles últimos anos dourados de um mágico Rio de Janeiro, amada capital de um Brasil mais irreverente e feliz, marcaram para sempre Cetale que, hoje, aos 69 anos, carrega na carteira, em meio a reais e amassados documentos, duas fotos onde aparece entre os titulares daquele memorável Botafogo. Ele nasceu em 23 de fevereiro de 1939 e se chama José Ortiz Cetale. Ortiz pela mãe uruguaia, filha de espanhóis, e Cetale, pelo pai argentino, de origem italiana.

 

 

Cetale voltou para São Paulo às vésperas da virada do milênio, em 1998, e viveu momentos difíceis. Chegou morar num albergue público, no bairro do Canindé, com duas mudas de roupa e uma mala de fotos dos tempos gloriosos do Botafogo... Nos momentos de desespero, e eram muitos, eu abria a minha carteira e só encontrava as duas fotos do Botafogo, recorda Cetale. Então, revirava a mala e ficava olhando minhas fotos com a camisa do Botafogo e isso ajudava a enfrentar as necessidades. Cetale já superou as dificuldades da volta a São Paulo e, hoje, é treinador das categorias de base do querido Nacional, clube da Lapa paulistana, onde recuperou a dignidade, como homem e profissional. Mas não me separo nunca de minhas fotos com a camisa do Botafogo, comenta Cetale.

 

 

Ele começou no infantil do Corinthians, em 1955, e, no ano seguinte, se tornou juvenil do Nacional, onde ficou até 1958, quando chamou a atenção de um olheiro do América, que o levou para o Rio. Treinou dois meses na velha cancha de Campos Salles e chegou a disputar um amistoso contra o Bonsucesso vestindo a camisa do diabo rubro. Tinha um estilo vigoroso que recordava Bellini, capitão campeão mundial, além de também ter sobrenome italiano e ser considerado um galã. O América, que já preparava Djalma Dias, vacilou e Cetale foi para o Botafogo levado por Nadim Marreis. Ficou até 1962 em General Severiano e em várias ocasiões foi titular, como em 1961, quando o clube conquistou o Torneio Rio-São Paulo. Excursionei o mundo inteiro com o Botafogo, lembra Cetale. Conheci mais de 50 países e naquelas viagens vivi meus melhores momentos no clube.

 

O jogo inesquecível da carreira dele foi um Milan e Botafogo, no Estádio San Siro, em Milão, no início de 1961. O Botafogo ganhou por 3 a 2 e Cetale anulou o brasileiro Mazola, campeão do mundo de 1958, chamado na Itália pelo sobrenome Altafini. Começou espanando e assustou a Mazola, que foi até Didi, companheiro da campanha da Suécia, e se queixou dele... Didi, malandramente, teria respondido ao Mazola que iria pedir ao Cetale para bater menos... E aí, quando o Mazola se afastou, o Didi chegou pra mim e disse velho, dá na orelha dele, foi o suficiente, diz Cetale. Anulei o Mazola e fiz o meu nome na Itália. Um ano depois, Cetale deixou o Botafogo e foi defender o Deportivo Cáli, onde foi campeão colombiano.

 

 

Desde então, praticamente até hoje, Cetale virou uma espécie de trottamondo, trocando de clube, de cidade e de país a cada ano. Mantendo, porém, uma única paixão no futebol. Uma paixão que já removeu montanhas na própria vida, ao encontrar forças para seguir adiante, e superar adversidades, abrindo uma mala cheia de fotos em preto e branco. Cetale nunca esqueceu o Botafogo e os botafoguenses não podem esquecê-lo. Nem que seja pelas cacetadas que dava nos adversários. 

 

Mesmo não sendo torcedor do glorioso Botafogo, assino e dou fé, como leitor desse maravilhoso blog, de meu amigo Roberto Porto, e admirador, por mais de duas décadas, entre os anos 1950 e 70, de um dos maiores times da história do futebol em todo o planeta.

 

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 

PS.: Será que a minha musa Camila Augusta saberia me dizer em que estádio foi feita a foto que abre o Blog, aquele em que o Cetale aponta uma construção que mais parece um "prato fundo"?



Escrito por Roberto Porto às 23h07
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O BOTAFOGO PARA OS BOTAFOGUENSES

Dormi, de ontem pra hoje, o sono dos justos. Dos justos felizes. Dos justamente felizes. Eu mereço. Sou Botafoguense e estou no G3, a molambada que se lixe.

Foi muito bom ver o Botafogo pressionar o Cruzeiro, desvalorizado pelos desfalques – mas isso não é problema nosso. Ficamos em cima o tempo todo.

A pressão era tanta que acabamos correndo riscos. Mas tínhamos que correr mesmo, ou não? Claro que sim. Se pretendemos nos manter no G4 e beliscar o título, se “eles” derem bobeira, temos que vencer. Ainda mais em casa, no nosso Engenhocaldeirão.

E olha que o Botafogo nem jogou tão bem como se poderia esperar. De Carlos Alberto e Lucio Flavio, nossos maestros, pouco saiu. Erraram passes e chutes aos montes. Lucio, pelo menos, ainda bateu o pênalti com força e no canto, senão o Fábio – que adivinhou o canto – poderia espalmar.

Enfim, é preparar a bacalhoada de domingo.

Para quem gosta, mora fora do Rio e não pode ir aos jogos, o site da Rádio Globo está apresentando o “Scout Online”, com tudo o que acontece sobre os jogos. Da mesma forma, no Globoesporte.Com, as estatísticas do Botafogo podem ser comparadas com os outros times, todos ao mesmo tempo ou com apenas um. Como, por exemplo, o Vasco da Gama, nosso adversário de domingo.

COMPARAÇÕES

Estamos em terceiro lugar, depois de seis vitórias consecutivas. Com 37 pontos, onze vitórias, quatro empates e seis derrotas. Ah!, se tivéssemos pulado do Cuca pro Ney Franco direto...

Nosso ataque balançou as roseiras adversárias em 31 ocasiões. E eles bagunçaram o nosso coreto dezenove vezes, saldo de uma dúzia, 58% de aproveitamento.

Já o Vasco está em 15º., com 22 pontos, seis vitórias, quatro empates e dez derrotas. A travessia do mar tormentoso entre as ilhas eurídicas e as dinamíticas, custou caro a eles. Muita fofoca e pouca bola, Edmundo dizendo um monte de besteiras, falta de comando e dinheiro, enfim... problema deles.

Mas vamos comparar os dois times, usando as estatísticas à disposição:Mas tem um quesito no qual já somos campeões: o time que mais apanha, quase 24 faltas por jogo. E os sopradores de apito, só deixando pra lá. Ontem, o “filho do ladrão” marcou um pênalti que, dizem os “experts”, não foi. Mas apontam que, um pouco antes, teve um que ele não deu. Então, elas por elas..

  • Assistências – normalmente, o Botafogo faz um pouco mais do que eles. Nossos gols saem como fruto de ralação individual ou jogadas ensaiadas. O que indica que os nossos “maestros” não estão regendo como deveriam. Engraçado é que eles fizeram muitas assistências em dois jogos: cinco na goleada contra o Galo; e três contra o Palmeiras quando tomaram de dois.
  • Passes – eles erram muito mais passes do que nós, mas o Botafogo ainda erra um pouco além da conta. Parece um pouco de afobação, um pouco de sede demais ao pote. Com isso, erram os passes. Creio que na hora em que o Botafogo sossegar o facho e aprimorar o passe, entra definitivamente na briga pelo título.
  • Roubadas de bola – o meio de campo do Botafogo trabalha que é uma grandeza e aí reside, quem sabe, o motivo do grande crescimento. Somos o segundo time em roubadas de bola. Fácil explicar: Diguinho e Túlio vêm jogando como nos seus melhores momentos no Botafogo. E penso que Diguinho está no auge, deixou de fazer faltas e rouba bolas como roubava o Carlos Roberto, daquele time bicampeão de 1967-68, nosso técnico campeão de 2006.
  • Gols – nossas médias são boas mas não excelentes. Somos a terceira defesa menos vazada, mas apenas a oitava artilharia. Se o Wellington voltar aos bons momentos do ano passado, vai ser difícil aturar. Sei que Ney Franco deu a ele uma função tática no Botafogo. Talvez o problema, como sempre lembra o Gérson Canhotinha de Ouro, esteja no meio de campo, nos erros de passe e falta de assistências. Se a bola não chega, como marcar?

A partir da 13ª. Rodada, os caminhos de Botafogo e Vasco se cruzaram na tabela. A partir daí, só ganhamos e subimos. E eles, ladeira abaixo.

CONVOCAÇÃO

Domingo, todos ao Maracanã! No almoço, é bom já ir degustando bolinhos de bacalhau, sardinhas e enchidos com um belo vinho verde da uva Alvarinho.

Jorge Henrique vai fazer falta? Talvez. Vocês sentiram a falta do Renato Silva ontem? Eu, não. Apesar de ele estar fazendo, para surpresa de muitos e desgosto do meu parceiro esquizofrênico, uma bela dupla com o André, que está fazendo o “hermano” Ferrero esquentar o banco de reservas.

Então, não me importo. Manda o Carlos Alberto pra frente, entra o Zé no meio de campo, quem sabe o Guerreiro, porque o Gil – pelo que tenho visto – já deu o que tinha que dar. Está gordinho e carequinha. Pena, porque ele tem um ótimo toque de bola.

TRATAR BEM A CACHORRADA

O Botafogo tem o mau hábito de tratar os seus torcedores de maneira descortês. Ora, se o Engenhão é a nossa casa, não deveríamos acolher a todos com carinho e atenção?

Claro que o belo estádio, que tem o DNA da minha família – vocês sabem, meu irmão Carlos foi o arquiteto que criou o nosso “caldeirão” – não pode ser a casa da mãe joana.

Mas se o Botafogo acolhe com fidalguia até quem vai lá para depredar o estádio, como os marginais do time da beira da Lagoa (talvez os mesmos que invadiram a Gávea para dar porrada nos jogadores), não pode tratar mal os seus torcedores, ainda mais se são tão dedicados.

Ontem, o meu amigo Adilson Taipan (foto acima), o Poeta do Povo e do Botafogo, que tive o prazer de conhecer no mega rega-bofe no Boteco do Ronau, foi impedido de vender – pasmem! – os seus excelentes livros de poesias sobre o Botafogo que ele escreve, produz, manda imprimir às próprias expensas e vende por aí (na Fogão Shop, no site LivrosdeFutebol e na porta dos estádios onde joga o Botafogo).

Por enquanto, são dois títulos:

“Poeta do Povo e do Botafogo”

e “Camisa 7,

ambos magníficas provas da criatividade do Taipan, uma pessoa do bem, um botafoguense genial, que se manda da sua Anchieta para apoiar o Botafogo e vender os livros que provêm o seu sustento.

Taipan deveria ser convidado para fazer uma tarde de autógrafos na sede social e, mais adianta, deveriam vender o livro dele, sempre, no Engenhão.

Pois não é que, ontem, no Engenhão, Adilson foi impedido de vender o seu livro? E foi amistosamente convidado a sair fora. Ele enfiou a viola no saco e foi torcer pelo Botafogo.

É como diz um esquizofrênico amigo meu: “Eles passam, o Botafogo fica”...

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 



Escrito por Roberto Porto às 18h37
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VIVA MENDONÇA!



Para Renan Gavioli, que sugeriu


Dotados de boa memória, os leitores deste Blog haverão de saber quais foram os maiores larápios – sopradores de apito – na história do Botafogo. Creio que vários, mas dois merecem capítulos especiais: em âmbito estadual, surge o inesquecível nome de José Marçal Filho, que literalmente furtou o Botafogo na final do Campeonato Carioca de 1971, diante do Fluminense – um clube que, na época, mandava e desmandava na então Federação Carioca de Futebol.


Em âmbito nacional, há um nome rigorosamente decorado: o de Bráulio Zanotto que, pressionado e até agredido por seguranças do São Paulo, no Morumbi, permitiu que o clube paulista virasse um jogo que perdia por 2 a 0 – gols de Jérson com J – e eliminasse o Botafogo do Campeonato Brasileiro de 1981 (3 a 2). Quis o destino, porém, que o São Paulo perdesse o título para o Grêmio, no mesmo Morumbi. Nunca torci tanto para o Grêmio...


Isso sem falar nos larápios mais recentes, das finais contra o time da beira da Lagoa, a bandeirinha peladona, sei lá, uma cambuta de fedapadas – como dizia o cartunista Henfil – que nem sei. Melhor esquecê-los.


Mas o que ficou na lembrança dos botafoguenses, sem sombra de dúvida, foi a espetacular vitória sobre o Simpaticíssimo, na noite de 19 de abril, quarta-feira, no Maracanã, diante de 135 mil pagantes, pelas quartas-de-final do mesmo Brasileiro de 1981.


Marrento que só ele, campeão nacional do ano anterior, o Simpaticíssimo entrou em campo com Raul Plasmann, Carlos Alberto (Capita) Torres, Luís Chevrolet Pereira, Marinho e Júnior Capacete; Victor, Andrade (depois, Paulo César Carpeggiani) e Zico; Tita, Peu (Anselmo) e Adílio.


O Glorioso Botafogo, cheio de amor pra dar, mandou a campo Paulo Sérgio, Perivaldo da Pituba, Gaúcho, Zé Eduardo e Gaúcho Lima; Rocha, Ademir Lobo e Mendonça; Ziza (Édson), Marcelo (Mirandinha) e Jérson. Um time apenas voluntarioso...


Logo aos três minutos de jogo, eles abriram os trabalhos através do Galinho de Quintino, numa espécie de velocípede – não pode ser chamado de bicicleta. A torcida urubulzalda foi à loucura. Viria uma goleada sobre o mortal inimigo Botafogo?


Mas... para tristeza da comunidade Mendonça, jogando na época o fino do futebol, empatou aos 44 minutos.


O segundo tempo, como diria o tricolor Nélson Rodrigues, foi um drama em dez atos e 45 apoteoses. Pois quando tudo parecia indicar que a partida fosse terminar 1 a 1, para horror dos rubro-negros, Jérson – sim, com jota – meteu 2 a 1 aos 41 minutos.


Drama à esquerda das tribunas! Roberto Assaf, Fernando Calazans, Ruy Castro e Renato Maurício Prado, quase arrancando todos os cabelos lá de onde vocês podem imaginar, queriam ir embora do estádio, inconformados com a derrota iminente. Mas era tanta gente no estádio, uma multidão compacta que os impediu e obrigou a ficar. Pra quê...


Veio então o que chamarei sempre de golpe fatal.


Para gáudio dos torcedores que o Ricardo Baresi (que gentilmente cedeu a foto do Mendonça com Lucio Flávio e Tulio) costuma apelidar de Cachorrada e o meu parceiro César Oliveira apelidou de Cricrizada Amiga, aos 44 minutos, deu-se a desgraça (para eles, claro...)


Contra-ataque fulminante do Botafogo e, da lateral-direita, a bola é alçada na área. Acompanhe nas fotos legendadas, no final do Blog. Naquela região que João Sem Medo chamava de a zona do agrião, só estavam Mendonça, Junior Capacete – chegando desesperado, ele odiava perder para o Botafogo – e Raul Boneca Plasmann.


Mendonça chamou Júnior pra dançar. E, acreditem ou não, meteu-lhe a bola entre as canetas, antes de fuzilar Raul e sepultar o Mais Querido com os 3 a 1 e a eliminação do Campeonato Brasileiro.


Dizem que, entre os mais fanáticos torcedores do rubro-negro, houve gente que arrancou as calças pela cabeça de tanta raiva. Nessa noite, já distante, eu estava na Rua Irineu Marinho, no Centro, editando O Globo e, no terceiro gol, dei um urro tão possante que até o doutor Roberto Marinho escutou em sua residência, no Cosme Velho.


QUEM FOI MENDONÇA


Se você não viu, fique de olho no próximo jogo dos veteranos do Botafogo. Mendonça, você vai reconhecer, tem uma carequinha e uma barriguinha mas um futebol do tamanho do Maracanã.


Gérson Canhotinha de Ouro diria que a bola reconhece em Mendonça os cuidados e carinhos que ela gosta.


Pura verdade.


Esse gol que mostro aqui hoje é a prova evidente do talento, da aplicação, da técnica e, por que não dizer, da molecagem característica do garoto bom de bola que Mendonça foi. Um craque certo num momento errado, porque aquele Botafogo não estava à altura do Mendonça.


Mesmo assim, a obra-prima que ele pintou com seus pincéis de grande qualidade, ficarão para sempre marcados na memória de quem o viu jogar.


Em boa hora, o Botafogo o homenageou, na festa de comemoração dos 104 anos do Botafogo F.C., com uma camisa comemorativa (abaixo). Quem tem o meu livro vai lembrar que é a mesma camisa que veste Sandro Moreyra na página 79.



Milton da Cunha Mendonça, o Mendonça (nascido no dia 3 de maio de 1956), jogou no Botafogo, de 1975 a 1982, por quem marcou 118 gols em 342 jogos. Seu gol mais famoso foi, claro, o gol que descapacetou o Junior:  "Até hoje, todo mundo comenta comigo aquele gol".


Não é pra menos, Mendonça... não é pra menos.


Quando falei com o César que faria um blog em homenagem ao Mendonça, ele – naquele jeito esquizofrênico dele – me pediu que dissesse que "Mendonça, sim, é que era maestro". O que será que ele quis dizer com isso?...


A HISTÓRIA DO PÔSTER RETIRADO DO MARACANÃ


Havia, no hall dos elevadores do Maracanã, um pôster mostrando o drible de Mendonça em Júnior. Essa mesma foto que ilustra esse Blog comemorativo dos 104 anos gloriosos anos do Botafogo. Segundo informações por mim colhidas, o Sr. Chiquinho da Mangueira – então superintendente do Maracanã – teria dado ordens de retirá-lo.

Por quê? Não tenho a menor idéia. Houve alguma ordem superior ou Chiquinho da Mangueira decidiu por própria conta tirar a bola de entre as pernas de Júnior? Dizem que foi o próprio Capacete que pediu ao Eduardo Paes que mandasse o Chiquinho tirar. Até hoje, o mistério permanece. Mas o pôster, não.


Nada de mais, para politiqueiros puxa-sacos que, aproveitando-se da cega ignorância da torcida rival, acha que ganha pontos colocando o outrora Maior do Mundo uma estátua do Zico, retirando de lá o busto de Manoel Francisco dos Santos. Bando de ignorantes! 


Por sorte, meus amigos João Saldanha (1917-1990) e Sandro Luciano Moreyra (1919-1987) ainda estavam entre nós. E pena que não estejam hoje, para defender Garrincha dessa ignomínia que tentar perpetrar. E posso imaginar como eles gozaram os companheiros adeptos do Simpaticíssimo...


Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br





Escrito por Roberto Porto às 17h00
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O GRANDE MANÉ GARRINCHA



O inigualável, insuperável e inesquecível Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha (1933-1983) deixou saudades em quem teve o prazer e a alegria de vê-lo jogar. Garrincha era um passarinho, um gênio, uma criança, um demônio. Era o Anjo das Pernas Tortas, a Alegria do Povo.


Jogava futebol com a simplicidade do brasileiro comum. Que gosta de mulher, samba, futebol e uma boa birita. Mané era chegado às quatro. Como era impossível marcá-lo, Mané driblava também a concentração e ia para a farra, sempre regada a mulheres e bebidas. Não foram poucas as vezes em que, já profissional e famoso, foi tirado de um bordel ou da beira de um rio na sua Pau Grande para jogar no Botafogo.

Em meu livro "Botafogo – 101 Anos de Histórias, Mitos e Superstições", fiz um capítulo em homenagem a ele: "Os Caçadores de Garrincha", onde conto uma das implacáveis caçadas a Garrincha.

Ela
ocorreu exatamente a 26 de dezembro de 1958, véspera da primeira partida, à noite, contra o Flamengo, pelo supercampeonato do Carioca daquele ano. De repente, da concentração alvinegra, na Estrada das Canoas, veio o alerta desesperado dando conta de que Mané havia desaparecido. Foi um deus-nos-acuda.


João Saldanha (1917-1990) estava furioso e ameaçava barrar o mais consagrado craque do clube. Pelo telefone, Nova Monteiro, vice-presidente médico, disse ao técnico que ficasse tranqüilo pois iria caçar Garrincha onde ele estivesse.


Dito e feito...


Nova Monteiro convocou como guia o gerente administrativo Alexandre Madureira, que conhecia na palma da mão as trilhas que levavam em direção a Pau Grande, na Raiz da Serra. E de carona, no carro de Nova Monteiro, foram dois jovens: Francisco Eduardo Nova Monteiro, filho do médico, e Luiz Carlos Albuquerque, torcedores do Botafogo e colegas de classe do hoje extinto Colégio São Fernando, na Rua Marquês de Olinda, em Botafogo.


Já era noite quando a equipe dos caçadores de Garrincha chegou a Pau Grande. Para surpresa de todos, o jogador e sua mulher Nair davam uma festa modesta festa, diga-se de passagem para um grupo de amigos. Ponderado, Madureira chamou Garrincha e mandou que ele se preparasse rapidamente para vir para o Rio.


Amedrontado com a presença do diretor do clube Nova Monteiro, Garrincha procurou apresentar, de improviso, as mais deslavadas desculpas. Disse que já estava pronto com seu material de jogo na bolsa e que pretendia tomar o primeiro trem para o Rio no dia seguinte. E explicou que a festinha estava programada há tempos e ele, como anfitrião, não poderia faltar.


Nova Monteiro, cara amarrada, não lhe deu conversa. E Garrincha, no banco de trás do carro do médico, espremido entre Francisco Eduardo e Luiz Carlos, não teve escolha. Largou a festinha pela metade e, humilde como sempre, embarcou quase à força para cumprir seus compromissos profissionais com o Botafogo.


No dia seguinte, o Botafogo perdeu de 2 a 1 pro time da beira da Lagoa e saiu do Campeonato. Mas Garrincha continuou encantando no campo e fora dele. Foi ainda bicampeão carioca pelo Botafogo e do mundo pelo Brasil.


Em terras escandinavas, Garrincha deixou um nome inesquecível e um filho, Ulf Lindberg Henrik.


Incrível quanto pareça, marcado de perto pelos dirigentes da Seleção Brasileira que já lhe conheciam a fama, Mané ficou de chamegos com uma linda suequinha, pasmem!, pelas grades da concentração do Brasil. Difícil de acreditar? Não pelo que conta Ruy Castro em sua biografia sobre Mané, confirmada pela nota que ilustra o Blog hoje.


Mané, além de bem dotado para o futebol, o era também em outros atributos. E nem a grade da concentração foi capaz de barrar o seu, digamos, ímpeto desbravador.


Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto
portoroberto@uol.com.br


PS.: Neste domingo, comemoramos 12 anos da vitória no troféu Teresa Herrera, contra a Juventus da Itália. Vocês lembram, não é? Foi o dia em que o Botafogo foi campeão com a camisa do La Coruña. Coisas que... vocês sabem!




Escrito por Roberto Porto às 15h57
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A EMOÇÃO DE VER O GLORIOSO
ARRASAR O ADVERSÁRIO

Não vou dizer que o Botafogo ainda me mata, porque o Botafogo me mantém vivo, pulsante.

Ver o Glorioso jogar daquela maneira desabrida (comecei bem...), partindo para cima e envolvendo o adversário, foi bom demais, alegrou o final do domingo aqui nas lonjuras do Recreio dos Bandeirantes.

Confesso que, lendo os jornais da manhã, fiquei preocupado. Todos só falavam que o Botafogo jogaria muito desfalcado, não havia ainda ganho uma partida sequer fora do Rio de Janeiro (no Engenhão, é praticamente imbatível), como torce contra essa fla-prensa!

Fui na ficha técnica do jogo para ver, afinal, que desfalques tão assustadores seriam esses.

Ora, Renan é um ótimo goleiro e, da seleção brasileira de novos, e quando entrou deu conta do recado, certamente será o nosso titular no futuro, justo no Botafogo que teve grandes goleiros “afro-brasileiros”. Thiaguinho vem jogando bem, não sentiríamos falta de Alessandro. A dupla da zaga – Renato Silva e André Luís – até que vem jogando bem, até o Renato que, quando não dá chabu, não compromete. Não entendo bem o Zé Carlos na esquerda, preferia um lateral de ofício, mas o esquema permite que o Zé atue por ali.

O meio de campo tem sido o nosso destaque no Brasileiro, lastreado pela tremenda subida de produção do Diguinho, a recuperação do Túlio, a volta – aos poucos – do Leandro Guerreiro à forma do ano passado, além do toque de classe do Lucio Flávio e do Carlos Alberto.

Na frente, não dava para dizer que Jorge Henrique e Gil fosse um ataque desfalcado. O Jorge foi destaque ano passado, tem uma velocidade sem igual. E o Gil, que surgiu arrebentando no Corinthians, deu ao Botafogo um ingrediente que o Botafogo não tinha: o drible pra frente.

Nos primeiros minutos, me surpreendi com o esquema tático que o Ney Franco imprimiu ao time, para compensar a falta da referência de Wellington Paulista (outro que vem se recuperando) na frente da área adversária. E os dois arrebentaram com o jogo.

Em alguns momentos, achei que se o Botafogo tomasse um fôlego para cadenciar o jogo no meio de campo para o ataque, sem perder o foco de atacar, teríamos ganho de mais, porque foram muitas as chances desperdiçadas, a ponto de me fazer pensar se teríamos que lamentar mais uma boa partida sem vitória.

Enfim, deu tudo certo.

Quando foi incomodado, Renan não negou fogo. Thiaguinho acabou com eles. O meio de campo acertou tudo, Diguinho surpreende a cada dia. Mas o que mais me deixou feliz foi ver que Ney Franco é capaz de perceber as dificuldades e, modernamente, trabalhar com o que tem à mão.

Aquele Botafogo de ontem, não foi um Botafogo desfalcado, como dizia a imprensa. Foi um Botafogo reforçado pela união do grupo.

Ontem, senti um cheiro de coisa boa no ar. Vou ficar calado e quieto, com o coração aos pinotes, percebendo que pode vir coisa boa por aí.

Agora, é ganhar do Figueirense, que está próximo de nós na tabela mas, confiram as estatísticas, tem uma defesa fraca, que já tomou 32 gols no campeonato, quase o dobro do que o Botafogo. E encher o Engenhão no domingo.

Vou mandar a secretária preparar de antemão “a Gloriosa”. Domingo, estarei lá.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 10h30
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MACAÉ, BIRIBA E O IO-IÔ ALVINEGRO
 


Para começar a partida, agradeço as mensagens que recebi, durante o retiro sabático que fui obrigado a cumprir.


Mas duro mesmo foi ficar longe do Glorioso. De vez em quando, eu coloco uma barba preta, pinto o bigode, enterro um chapelão na cabeça, pego um táxi, cruzo a Linha Amarela e vou ver o Botafogo no Engenhão. Chego cedo e fico quieto num canto, radinho no ouvido. Você não acredita? Então, me procure no próximo jogo, na lateral abaixo dos camarotes.


Mas contornados os problemas, volto à ativa. E, pelo tema da coluna, vocês verão, em grande estilo. Porque vamos falar do nosso trunfo maior: o mascote Biriba.


A idéia me veio quando a vi que hoje ilustra o Blog, um primor. E olha que eu não conhecia o Macaé!... Na verdade, não tinha a menor idéia que jeitão teria o Macaé. Pelo nome, imaginei um armário de seis portas, grande e forte, um zagueiro-zagueiro.


Mas, como há coisas que só acontecem ao Botafogo, olha a pinta do Macaé: como disse meu parceiro César Oliveira, é um “tarzã depois da gripe”. E o sujeito ainda me adentra ao gramado conduzindo Biriba, garboso com sua sobrecapa  com a Estrela Solitária.


Da turma que vem atrás, só reconheço Silvio Pirilo, carregando a bandeira alvinegra. Os outros, nem desconfio. O ano? Depois de 1948, claro, por causa do mascotinho.


Claro que sendo um mascote alvinegro, nosso canino companheiro de vitórias e armações só poderia mesmo ser envolto em histórias, causos que deixam atordoado qualquer torcedor menos dotado – claro, dos adversários...


Biriba surgiu como surgem as coisas no Botafogo. Parece que do nada, algo sobrenatural. Conta-se que um dia, em meio a um jogo difícil no subúrbio carioca, adentra o gramado, com pompa e circunstância, a figura serelepe do Biriba, um vira-latas preto-e-branco.


Nosso Glorioso estava perdendo e, depois que o cachorro foi pego em campo, o adversário estava frio e o Botafogo inspirado por aquele que viria a ser o seu maior mascote. Biriba deu tanta sorte que o Botafogo atropelou a história e detonou o famoso Expresso da Vitória, em General Severiano, vencendo o Campeonato de 1948.


E olha que, no jogo do turno, em São Januário – como se lá já houvesse um “eurico” – Biriba foi proibido de entrar no estádio. Pois Carlito Rocha botou-o o colo (foto famosa, abaixo) e entrou pelas cruz-maltinas roletas adentro, perguntando se o Vasco da Gama teria a coragem de barrar ali o presidente do Botafogo.


As histórias do nosso Glorioso são muitas, incontáveis, algumas inacreditáveis, têm a marca registrada, o DNA do Botafogo. Como esse cachorrinho que até hoje povoa a imaginação botafoguense, mesmo dos meninos e meninas cujos pais ainda eram crianças quando Biriba reinava em General Severiano.


O ÔxO DE DOMINGO


Havia na TV carioca, tempos atrás, um locutor cujo nome me escapa (cartas para a redação...) que se referia ao empate em zero e zero como “ôxo”, porque é isso mesmo que fica escrito no placar quando os jogadores não mandam a bola às redes.


Jogo que acaba zero a zero é sempre um saco. Convalescente, não podendo passar por emoções fortes e, confesso, meio calejado das recentes cacetadas de um time que sempre foi nosso freguês de caderno, resolvi ficar na “SofáFogo”.


Vinte minutos antes do jogo, a surpresa: Lucio Flavio no banco. Digo a vocês, com a mais sincera e honesta das intenções, que eu desconfiei na inacreditável goleada contra o garnizé mineiro, que o Ney Franco estava a fim de sacar o “maestro” do time.


Achei que estava ensaiando isso quando o tirou de campo. E quando o locutor abriu a latinha e anunciou que o Botafogo ia para campo sem Lucio, achei que Ney estava começando a botar as manguinhas de fora.


Não sei, porque não acompanho mais os treinos, se ele havia ensaiado isso, mas o Botafogo não foi bem no primeiro tempo, vocês concordam?


Está certo que Tiaguinho fez falta, que o time ainda me parece carecer de certa firmeza moral, uma necessária personalidade para se impor. Porque, convenhamos, não tem time aqui no Rio, hoje em dia, que se destaque tanto.


O Flamengo foi desmantelado com três vendas e deve se desmantelar mais ainda com a chegada do encrenqueiro Felipe, aquele mesmo que, um dia, meu amigo Fernando Calazans nomeou como “o novo Garrincha”... Mas, vamos e venhamos: o Flamengo se desmantelou pela falta de Souza, Marcinho e Renato Augusto?...


E o Fluminense, aquele dos “três tenores desafinados”? Perdeu a Libertadores e perdeu o rumo. É uma caricatura. Apostou em Yokohama e está quase indo jogar em Conceição do Mato Dentro, na Segundona. E é sempre bom lembrar que saíram dela pela janela.


O Vasco, caramba, o Vasco! O que aconteceu com o Vasco? Quem acreditava que Roberto Dinamite seria a redenção do clube da colina, deve estar preocupadíssimo com a caça às bruxas que se promove em São Januário.


Então, do que o Botafogo tinha medo no primeiro tempo contra o Flamengo. No segundo, Lucio Flavio entrou, Carlos Alberto foi pra frente (falta soltar um pouquinho mais a bola) e o Botafogo mandou no jogo.


Corajosamente, Ney Franco mandou o Botafogo atacar. E por atacar tanto – chutou mais de 20 vezes, se bem que tem que botar o pé na forma... – ficou exposto, quase tomou gols. Mas também quase fez.


Perdeu muitos, mas e aquela cabeçada do Jorge Henrique, ao melhor estilo Romário? Ele foi com tanta sede naquela bola que eu cabeceei junto e caí do sofá. Aquela, o Diego nem sabe como salvou. E mais os chutes do Wellington Paulista, a bola na trave, linda, que merecia entrar.


Poderíamos ter ganho. Grande partida do Diguinho e do Alessandro, que botou o Juan no seu lugarzinho. Túlio com altos e baixos. Carlos Alberto querendo mostrar serviço, mas eu ainda não sei o que pensar desse rapaz. Jorge Henrique me parece fora de posição.


Jogamos bem, muito bem, contra o São Paulo... e perdemos. Jogamos mal pra caramba contra o Atlético Mineiro... e goleamos.


Mas o time está se ajustando. Fora um ou outro, não tem bicho-papão. Para título, não dá pra pensar, não. Mas uma Libertadores... ah! isso eu acho que dá pra sonhar, sim. Ainda mais se o time treinar mais finalizações.


Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br 



Escrito por Roberto Porto às 11h23
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O FUNDO DO POÇO
(ou A FALTA DE VERGONHA NA CARA!)

 

Por João Inácio Müller

 

Um amigo que mora há pouco mais de dois anos na Itália, e que não é Botafoguense, me telefona, alarmado!

 

– João, o que houve com o Botafogo?

 

E eu ainda sem saber o que tinha acontecido, mostro-me sem resposta.

 

– Perder de 6 a 0 para um time vagabundo da Suíça?! Os jornais daqui estão se referindo ao Botafogo como o “o outrora grande time brasileiro”! Um deles, assim se pronunciou a respeito do jogo:

 

“ – Vexame em preto e branco: Botafogo leva goleada monumental!”.

 

(...)

 

Aí, caiu minha ficha, e entendi toda a gravidade do espanto de que estava possuído meu amigo! Eu sabia que ali não estava o Botafogo. Vocês todos também sabiam, que o clube estava sendo representado por uma equipe rotulada como “time B”...

 

Mas... e o resto do mundo? O que ficou marcado, o que ficou manchado após essa derrota desmoralizante, na imprensa mundial, foi o nome do “Botafogo de Futebol e Regatas. Um dos doze maiores clubes de futebol do Século XX, na avaliação da própria Fifa.

 

Lembro-me que após a Copa de1958 na Suécia, vieram fazer uma proposta parecida com essa , num torneio caça-níqueis, se não me falha a memória, na Bélgica. Ouvido a respeito, João Saldanha foi lacônico:

 

– “Se querem um circo, tem um aqui na Praça XV, com elefante, macaquinho e girafa. Contratem eles!”

 

É preciso não ter UM MÍNIMO DE AMOR A ESSE CLUBE, UM MÍNIMO DE RESPEITO ÀS SUAS MAIORES E MAIS GLORIOSAS TRADIÇÕES, para submetê-lo e expô-lo a um RIDÍCULO desse porte, em troca de alguns míseros dólares.

 

Para a imprensa da Europa e até mesmo da América do Sul, quem foi anarquizado e acachapado, foi simplesmente o Botafogo de General Severiano, repito, um dos doze maiores clubes do século XX.

 

Levantai Carvalho Leite, Nilo Murtinho Braga, Martim Silveira, Emmanoel Sodré Viveiros de Castro, Heleno de Freitas, Waldir Pereira, Manoel Francisco dos Santos, Carlos Martins da Rocha, Althemar Dutra de Castilho, Paulo Azeredo, Xisto Toniato, Sandro Moreyra, Renato Estellita, João sem Medo e tantos outros que ajudaram a fazer desse clube uma insígnia de glória.

 

Afastai a laje fria que encobre vossos túmulos e, mais do que nunca redivivos, saí em procissão pelas ruas da vergonha, para mostrar a esses que hoje procuram destruir a nossa história, que essa mesma história haverá de lhes cobrar caro a hecatombe anunciada.

 

Em troca de alguns poucos centavos, se joga por terra um nome construído com o suor e a dignidade de um sem número de heróis. Em troca de algumas parcas migalhas, se expõe uma camisa de tantas e tão marcantes conquistas!

 

Talvez os mais jovens, não possam aquilatar e avaliar a dimensão de tal afronta. E talvez os mais desavisados se deixem levar por propagandas manipuladas, onde se procura disseminar um vírus letal, consubstanciado na arrogância, petulância e vaidade, dos que se intitulam donos da verdade e do destino, dessa imortal Estrela Solitária.

 

Nem mil Engenhões serão suficientes para justificar semelhante desmando. Nem um milhão de Engenhões, engenhocas ou qualquer coisa similar, serão suficientes para contrabalançar a derrocada de um respeito perdido.

 

Chega de mentiras, de aventuras mirabolantes, de descaso, de desamor, de descompromisso com a verdade, de mistérios insondáveis. Chega de conivência oportunista e de manipulação de consciências. Que os culpados, sejam eles quem forem, ocupem que cargos ocuparem, RENUNCIEM A ESSES CARGOS, se não por uma questão basal de ética, pelo menos para que se possa ainda tentar salvar o que restou.

 

Que aqueles que amam verdadeiramente esse clube, exijam que a ele se dê o devido e justo comando. Por uma razão primária de se ter VERGONHA NA CARA!



Escrito por Roberto Porto às 22h59
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 O Tricolor, segundo Roberto Porto



Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time.


Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Fluminense, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível.


Por quê?


Pelo seguinte: – há, no Tricolor, a emanação específica de um otimismo imortal. Pergunto eu: – por que vamos ao campo de futebol? Porque esperamos a vitória. Esse otimismo é o impulso interior que nos leva a comprar ingresso e vibrar os 90 minutos.


E, no campo, o otimismo continua a crepitar furiosamente. Não importa que o nosso time já perdesse de 4 a 2. Até o penúltimo segundo, nós ainda esperamos a virada, ainda esperamos a reação. Pois bem: – o torcedor Tricolor é o único que espera precisamente essa virada no placar, como aconteceu.


Os outros comparecem na esperança de saborear, como um chicabom, apenas o triunfo do seu clube. Mas o torcedor do Fluminense é diferente: – ele compra o seu ingresso como quem adquire o direito, que lhe parece sagrado e inalienável de vibrar. Eis a verdade: – ele não vai a campo ver futebol. O futebol é um detalhe secundário e, mesmo, desprezível. Ele quer, também e acima de tudo,vencer mas também desgrenhar-se, esganiçar-se, enfurecer-se e rugir contra Renato Gaúcho.


No dia em que retirarem do torcedor Tricolor o inefável direito de vibrar e, sobretudo, o direito ainda mais inefável de descompor o seu técnico, ele ficará inconsolável, como um ser que perde, subitamente, a sua função e o seu destino.


Por exemplo: – o jogo de ontem, no Maracanã, foi o que se chama de ideal para o torcedor do Fluminense. Já durante a semana, ele vivera mergulhado no otimismo como um peixinho no seu aquário. E, ontem, finalmente chegou o grande dia: – a torcida Tricolor vibrou como nunca mas rugiu, como nunca, também, contra Renato Gaúcho.


De fato, a LDU exerceu um ligeiro, domínio de alguns minutos. E deu show, pelas pontas, bonito, brilhou escandalosamente como um sol. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, encontro um amigo Tricolor. Exultante com o próprio otimismo e com o próprio furor, ele veio, para mim, de braços abertos. Do lábio, pendia-lhe a saliva pesada e elástica de uma cólera sagrada.


Agarra-me e rosna-me, ao ouvido: – “Esse Renato Gaúcho é um tarado!”. E repetia, atirando patadas ao chão: – “Tarado!” A princípio, pensei num crime sexual ainda impune, praticado nalgum terreno baldio. Pálido, quero saber por que “tarado”. Então, o amigo explica-me: – “Porque vai colocar o Dodô no lugar do Cícero! E essa substituição parecia, ao meu conhecido, o sintoma inconfundível de uma ‘tara’ tenebrosa”.


O diabo é que todo o todo o esforço da LDU não rendeu mais do que uma franciscana derrota de 3 a 1. Acresce que, nos 10 minutos finais, o Tricolor reage dramaticamente e quase ganha o jogo, quase.  Nos pênaltis, o otimismo acabou com o sonho da Libertadores.


Fica a minha pergunta: vocês, Botafoguenses, concordam com comigo?


Saudações Botafoguenses,


Roberto Porto


portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 14h12
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O Botafoguense, segundo Nélson Rodrigues



Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time. Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível. Por quê?


Pelo seguinte: – há, no alvinegro, a emanação específica de um pessimismo imortal. Pergunto eu: – por que vamos ao campo de futebol? Porque esperamos a vitória. Esse otimismo é o impulso interior que nos leva a comprar ingresso e vibrar os noventa minutos. E, no campo, o otimismo continua a crepitar furiosamente. Não importa que o nosso time esteja perdendo de 15 a 0. Até o penúltimo segundo, nós ainda esperamos a virada, ainda esperamos a reação. Pois bem: – o torcedor do Botafogo é o único que, em vez de esperar a vitória, espera precisamente a derrota.


Os outros comparecem na esperança de saborear como um chicabom o triunfo do seu clube. Mas o torcedor do Botafogo é diferente: – ele compra o seu ingresso como quem adquire o direito, que lhe parece sagrado e inalienável, de sofrer. Eis a verdade: – ele não vai a campo ver futebol. O futebol é um detalhe secundário e, mesmo, desprezível. Ele quer, acima de tudo, desgrenhar-se, esganiçar-se, enfurecer-se e rugir contra Zezé Moreira. No dia em que retirarem do torcedor alvinegro o inefável direito de sofrer e, sobretudo, o direito ainda mais inefável de descompor o seu técnico, ele ficará inconsolável, como um ser que perde, subitamente, a sua função e o seu destino.


Tudo na vida é uma questão de hábito. E o cidadão que padece todos os dias acaba se afeiçoando ao próprio martírio ou mais do que isso: – o martírio torna-se insubstituível como um vício funesto. É o caso da torcida alvinegra que, desde 1910, sofre e, ao mesmo tempo, xinga Zezé Moreira. Conclusão: – já não pode viver sem uma coisa e outra.


Por exemplo: – o clássico de ontem, no Maracanã, foi o que se chama de jogo ideal para o torcedor do Botafogo. Já durante a semana, ele vivera mergulhado no pessimismo como um peixinho no seu aquário. E, ontem, finalmente chegou o grande dia: – a torcida alvinegra sofreu como nunca e rugiu, como nunca, contra Zezé Moreira. De fato, o Vasco exerceu um feroz, um maciço domínio de oitenta minutos. E mais: – o Vasco deu show, jogou bonito, brilhou escandalosamente como um Sol. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, encontro um amigo Botafoguense. Exultante com o próprio sofrimento e com o próprio furor, ele veio, para mim, de braços abertos. Do lábio, pendia-lhe a saliva pesada e elástica de uma cólera sagrada. Agarra-me e rosna-me, ao ouvido: – “Esse Zezé Moreira é um tarado!” E repetia, atirando patadas ao chão: – “Tarado!”


A princípio, pensei num crime sexual ainda impune, praticado nalgum terreno baldio. Pálido, quero saber por que “tarado”. Então, o amigo explica-me: – porque pusera o Bauer no lugar de Pampolini! E essa substituição parecia, ao meu conhecido, o sintoma inconfundível de uma “tara” tenebrosa. O diabo é que todo o esforço e todo o brilho do Vasco não renderam mais que um franciscano empate de 0 a 0. Acresce que, nos 10 minutos finais, o Alvinegro reage dramaticamente e quase ganha o jogo, quase.


Fica a minha pergunta: vocês, Botafoguenses, concordam com o Nélson? E esclareço: o jogo é da década de 50.


Saudações Botafoguenses,


Roberto Porto


portoroberto@uol.com.br


PS-1: Nelson errou. O Botafogo venceu no primeiro turno por 1 a 0 (Roberto Porto)


PS-2.: Nélson Falcão Rodrigues (1912-1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor. Seu livro "O Berro Impresso das Manchetes", recentemente lançado pela Editora Agir, com projeto gráfico exuberante, é um show para quem gosta de ler futebol (à venda no Submarino por R$42). Traz algumas das crônicas mais interessantes que Nélson publicou na imprensa. Destaque para as duas crônicas que escreveu depois do glorioso 6 a 2 do Botafogo sobre o Fluminense na histórica final do Campeonato Carioca de 1957, que o Porto já contou aqui, com requinte de detalhes (Cesar Oliveira).


MAIS UM INTEGRANTE DA TORCIDA DO BOTAFOGO!




Ricardinho Emery Pontes, filho do Guime e da Babi, está na área. Se derrubar, até a Ana Paula marca pênalti. Bem-vindo, Ricardinho! Parabéns, Babi & Guime! Assim que estiver durinho, vamos levá-lo ao Engenhão! Que Deus te abençoe, Ricardinho! (Cesar Oliveira).



Escrito por Roberto Porto às 22h09
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Fim do mistério:
CONFIRA SE VOCÊ ACERTOU

Como sempre acontece neste Blog, quando publico uma foto meio sobre a estranha do Glorioso Botafogo, provoco uma verdadeira briga de foice no escuro. E meu desejo é exatamente este: lançar um desafio à turma que me prestigia e acompanha. Particularmente, confesso, não consegui identificar todos os jogadores – apenas o ano, 1972, fazendo contas e mais contas, já que Fischer e Jairzinho estão no ataque. Nessa época, trabalhando em jornais que saíam às segundas-feiras, nem sempre podia ir ao Maracanã, permanecendo de plantão na editoria de esportes, ouvindo o jogo pelo rádio porque a televisão no Brasil ainda engatinhava e não transmitia jogos.

Em função da tal briga de foice, uma vez mais me vi obrigado a apelar para Pedro Varanda – a verdadeira enciclopédia do Botafogo. E Varanda, com seus arquivos implacáveis, bateu o martelo. A partida, disputada a 30 de julho de 1972 foi contra o Fluminense e vencemos por 1 a 0, gol de Ferretaço, que entrou no lugar de Jairzinho. E o time da foto formado, de pé, da esquerda para a direita, é Luiz Cláudio, Wendell, Nei Conceição, Brito, Scala e Valtencir – o pai da Ticiana; agachados, na mesma ordem, Zequinha, Carlos Roberto, Jair Furacão, El Lobo Fischer e Dorinho.

Na prática, a equipe jogava com Wendell; Luiz Cláudio, Brito, Scala e Valtencir; Carlos Roberto, Nei Conceição e Dorinho; Zequinha, Fischer e Jairzinho. Particularmente, mas muito particularmente mesmo, achei que Luiz Cláudio, um afro-descendente (como está na moda dizer) era mais alto e magro, jogava de central e que o jogador à direita de Wendell poderia (vejam que disse poderia) ser Mauro Cruz. Mas se Varanda falou, está falado. Já Dorinho, nem que estudasse muito, fizesse um novo curso de Direito, ao lado do companheiro Eliakim Araújo – do site Direto da Redação eu conseguiria matar. Prefiro os times mais manjados.

Mudando de um assunto para outro, como meu nome andou circulando em bocas de matildes, gostaria de esclarecer que sou sócio-proprietário do Botafogo, desde 1972, e daí em diante exerci o cargo de conselheiro de várias direções, mesmo na época em que perdemos General Severiano. Participei de muitas assembléias no Mourisco e retornei ao cargo novamente no palacete colonial quando ele foi recuperado da Vale.

Mas faço a mais absoluta e fechada questão de dizer que não participo de nenhum movimento político do Botafogo. Sou apenas um botafoguense apaixonado, que nunca vaiou o time ou um jogador alvinegro. Para mim, tanto faz que fulano ou beltrano sejam os presidentes. Hoje, inclusive, morando no Recreio dos Bandeirantes, vou rarissimamente a General Severiano, embora tenha lá muitos amigos, principalmente entre os funcionários mais modestos. De certa forma é um prejuízo, porque a Fogão Shop está lá mesmo e gostaria de presentear amigos botafoguenses.

O Botafogo é eterno. Efêmeros somos nós que o amamos.

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 20h50
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QUE TIME É ESTE?

Ao longo de minha experiência de apaixonado torcedor do Botafogo de Futebol e Regatas, vi times grandiosos, craques e títulos inesquecíveis, os grandes momentos foram significativos, mas aturei também times de verdadeiros cabeças-de-bagre, pernas-de-pau e outros menos votados.

Como eu já citei anteriormente, em outros textos neste Blog dedicado a torcedores como você, que me prestigia há mais de dois anos, nosso Glorioso gosta de nos pregar peças, tem “a vocação do erro”, como dizia o jurista e político carioca Santhiago Dantas (1911-1964).

Afinal de contas, a legendária camisa 7 que vestiu Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, serviu a Cremílson. A gloriosa camisa do meu amigo, grande jogador e técnico Mario Jorge “Velho Lobo” Zagallo, foi parar no corpo de um tal de Torino. E por aí afora.

Todo dia, invariavelmente, desde os tempos em que andei por aquele jornal cor-de-rosa a quem dediquei o meu trabalho e que me jogou para o alto sem a menor consideração, recebo e-mails (antes, eram cartas) de torcedores cariocas, brasileiros e até de fora do Brasil, como o sérvio Milan Basic, o português Rui Moura, o húngaro Egresi István, o russo Fedor Kurepin, entre outros que a memória não me ajuda agora a lembrar.

Isso é para comprovar cabalmente que os ecos da grandiosa vitória do Brasil em campos suecos, em 1958, e o conseqüente início de jornadas internacionais grandiosas do Botafogo (e do Santos F.C., do Sr. Édson Arantes do Nascimento) repercutem até hoje, mais de meio século depois, passando de pai para filho, pelas gerações de amantes do futebol.

É para demonstrar também que a política do grande time, do craque, do investimento em qualidade – como cansou de pregar no deserto o meu amigo Dr. Francisco Horta, o rei do troca-troca – é que faz um clube ser grande, grandioso, majestoso e, por tabela, lucrativo.

O sucesso nas quatro linhas traz investimentos, patrocínios, jogadores, enfim dinheiro para movimentar a máquina de uma maneira crescente e produtiva. Parece que o Botafogo não percebe isso. É cíclica, na história do clube, a política do timinho, do botinudo, do “é só isso que a gente pode ter”.

O time que ilustra o Blog hoje, é pós-1972, ano em que Rodolfo José “El Lobo” Fischer chegou ao Botafogo. Há craques nele. Mas também há jogadores que nem eu lembro. Quem são os ilustres desconhecidos? Vocês podem me ajudar?

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

PS.: Quando lancei “Botafogo – 101 Anos de Histórias, Mitos e Superstições”, agora esgotado e à espera que a Editora Revan mande reimprimir mais mil exemplares para atender aos Botafoguenses que não o adquiriram na primeira oportunidade, meu parceiro César Oliveira sugeriu que abríssemos algumas páginas, ao final do livro, para que torcedores colocassem ali os seus nomes. Acreditava ele, como torcedor, que outros torcedores gostariam de ter os seus nomes num livro do Botafogo, para mostrar a filhos e netos, para ajudar a fazer mais torcedores alvinegros. Pois bem: a “Kombi” foi um sucesso, o César – e, por tabela, o Marcelo Fonseca, designer do livro – ficou em palpos de aranha (gostaram desta?...) para inserir quase 4 mil nomes em curto espaço. Agora, quando pensamos na reimpressão, César me sugeriu reabrir a Kombi. Lascou-se! Dezenas de e-mails, centenas de nomes a mais. Uma trabalheira danada mas, certamente, uma alegria para todos. Para mim, com justo orgulho, pela repercussão. Mas o César anda sendo “acusado”, no Canal Botafogo, de fazer “marketing rasteiro”, buscando vender livros para os torcedores que ali terão os seus nomes. Ora... vendemos 3.000 exemplares em dois anos. Na "Kombi", são 4 mil botafoguenses. Se o objetivo fosse marqueteiro, não teríamos vendido tudo rapidamente? O livro, para meu deleite, foi um sucesso, esteve na lista dos mais vendidos do Jornal do Brasil e é o quarto livro mais vendido, em todos os tempos, da Editora Revan. Rasteiro mesmo é o pensamento de quem pensa assim, mentalidade de ameba. Honi soit qui mal y pense (ou, como disse o César, a inveja é uma merda)!



Escrito por Roberto Porto às 12h45
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INCRÍVEL!
Da Sérvia... para o Rio de Janeiro

Que o Glorioso Botafogo é conhecido no mundo inteiro, não é novidade. Através deste blog e de e-mails recebo correspondência dos quatro cantos do globo. A foto que ilustra o Blog hoje me foi enviada de presente pelo (imaginem?) sérvio Milan Băsic, para quem – a pedido dele – mandei pela internet uma grande foto do Botafogo. Foi feita, vê-se, em General Severiano, em jogo oficial do Campeonato Carioca de 1959.

Ele, certamente, me remeteu a capa ou contra-capa de uma revista sérvia e decidi repassá-la aos alvinegros mais velhos e fanáticos como eu como uma prova inconteste (bela palavra, não?) de que o velho Botafogo não cansado de guerra é popular até na Sérvia, nação que integrou a antiga Iugoslávia, na época do temido marechal Tito.

O time posado para a foto está formado (de pé) com Ernâni (ex-Vasco da Gama), Antônio Correia Thomé, Servílio, Nílton Santos, Edson (não é o Praça Mauá, como verão adiante) e Cacá. Agachados, na mesma ordem, Manoel Garrincha dos Santos, Paulo Valentim (cultivando um bigodinho), Mestre Valdir Pereira, Valdir Cardoso Quarentinha Lebrego e Mário Jorge Lobo Zagallo.

A rigor, pelo que conversei com meu antigo ídolo e hoje amigo Ronald Alzuguir, o time jogava com Ernani; Cacá, Thomé, Servílio e Nílton Santos; Édson, Didi e Zagallo; Mané Fenomenal Garrincha dos Santos, Paulo Catimba Valentim e Quarentinha.

O amigo Ronald – belo e lutador jogador de meio-campo – (hoje odontólogo em Copacabana, num consultório onde cultiva imagens do seu tempo de jogador – tirou minha dúvida. O Édson que aparece na foto, para formar o meio-campo com Didi e Zagallo, não é, como possam imaginar, o famoso Praça Mauá (apelido que Neyvaldo Carvalho, já falecido lhe deu). Trata-se de um Édson Genérico que jogou pouco no Botafogo e formou-se em odontologia como ele, Ronald.

O time, como a própria revista diz, é de 1959, um ano depois de deixar escapar entre os dedos o título carioca do super-super que ficou com o Vasco da Gama. Mas que o ataque é maravilhoso, não se discute. É, aliás – eu que não saía do Maracanã – o melhor ataque do Botafogo de todos os tempos, fazendo páreo com Rogério Ventilador, Gérson, Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César.

É óbvio que o tempo passou e já não temos três atacantes, como Paulo Catimba Valentim, Quarenta e Amarildo. Infelizmente temos apenas dois, pois os alas (antigos laterais) têm a função de jogar pelas extremas. Eu pensei que quem tinha inventado esse tal de ala (Tony Boy como exemplo) tinha sido Cláudio Coutinho. Mas em conversa longa pelo telefone, Zagallo me garantiu que toda a Europa já jogava assim e que Coutinho apenas aplicou na Seleção Brasileira de 1978 o estilo do Velho Mundo. E em nem um minuto sequer Zagallo criticou Coutinho, seu companheiro na inesquecível campanha de 1970.

Aliás, em 1970, Paulo César Lima foi o primeiro jogador brasileiro a se valer da chamada regra três, entrando no lugar de Gérson, que sentiu a coxa na partida contra a antiga Tchecoslováquia, hoje também dividida. Mas o documento enviado pelo sérvio, que se diz apaixonado pelo Botafogo, é sensacional, isso é. E dou de presente aos leitores do blog.

Saudações Botafoguenses (do cada vez mais botafoguense)

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br



Escrito por Roberto Porto às 12h11
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 Uma vitória esmagadora
— 40 Anos de uma Conquista —

Foi um domingo de muita chuva aquele do dia nove de junho de 1968. Como o Jornal do Brasil só saía às terças-feiras, fiz de tudo para arrumar uma companhia para ir ao Maracanã. Estava em São Paulo, a serviço – não me perguntem fazendo o quê – e na vinda para o Rio, às pressas, me encontrei no Electra II da Varig com um antigo colega do Instituto São Fernando, Léo Affonseca, infelizmente falecido jovem demais. Botafoguense fanático, Léo batia uma bola redondinha nas peladas e, pelo que me recordo, já estava trabalhando para o Grupo Peixoto de Castro. Aqui, foi aquele drama: ninguém para ir comigo ao Maracanã. Decidi encarar o mau tempo e parti para o maior do mundo sozinho mesmo. Foi uma festa inesquecível.

O Glorioso meteu 2 a 0 no primeiro tempo – na baliza à esquerda – gols de  Roberto e Rogério Ventilador e mais dois na etapa final, com Jairzinho e Gérson cobrando uma falta de maneira magistral. Fiquei desorientado, correndo pelas arquibancadas do Maracanã e eis que de repente, não mais do que de repente, me encontro com meu irmão Maurício Porto, também sozinho, mas apaixonado como nunca. Quase rolamos pelas arquibancadas. Na volta, sempre aos gritos de Botafogo, dei uma carona a ele. Desse jogo não me esquecerei jamais. A torcida do Vasco – sempre à direita das tribunas – não emitia um único e escasso som. Quatro a zero foi demais.

Para os mais jovens – como Camila Augusta e Paola Coutinho – esclareço que foi o primeiro Campeonato Carioca da era profissional onde foram permitidas substituições (na Copa do Mundo só em 1970). Mas de nada adiantaria porque no quarto gol, aos 22 minutos do segundo tempo, Armandinho Marques, sempre meio histérico, expulsou todo o banco do Botafogo, que invadira o gramado para comemorar a vitória e o bicampeonato. Se Zagallo, a partir daí, tivesse necessidade de trocar alguém, não poderia. O Glorioso teria que jogar com 10.

O time, cuja foto abre este Blog comemorativo (de pé, esq. pra dir.), era: Moreira (lateral-direito), Cao, Zé Carlos (central pela direita), o grande Sebastião Leônidas, Carlos Roberto (nosso técnico campeão de 2006, tremendo cabeça-de-área) e Valtecir (o pai da Ticiana), na lateral-esquerda; e o ataque – que ataque! –arrasava com Rogério Hetmanek (com o mascote Marquinhos), Gérson “Canhotinha de Ouro” (cuja foto, levantando a Taça, fecha este Blog), o valente e competente Roberto Miranda (que prestigiou o lançamento do meu livro em Niterói), Jairzinho “Furacão da Copa” e Paulo César Lima, o “Caju”. O técnico era o “Velho Lobo”, meu amigo Mário Jorge.

Foi uma campanha espetacular: 18 jogos, 15 vitórias, uma derrota (para o Vasco, no turno), e dois empates. Hoje, século 21, já se passaram 40 anos daquela verdadeira epopéia, principalmente porque foi sobre o Vasco da Gama. E marcou época por causa das substituições permitidas. Sob o aspecto estritamente esportivo, foi ruim, porque matou literalmente o gigantesco time de aspirantes que o Botafogo tinha. Um clube – não só o Botafogo – poderia manter um elenco tão numeroso. E daquele time de aspirantes igualmente inesquecível guardo os nomes de Ronald Alzugyr – me telefonou dia desses – o falecido Paulistinha, Augusto Macarrão, Cetale, Rossi, Amoroso, China, Amarildo e tantos outros. Não havia quem segurasse aquele aspirante do Botafogo. Até Zagallo jogou nele em 1958.

E para aqueles que não conhecem a história do futebol carioca, termino com uma curiosidade: foram os aspirantes do Botafogo, que deram um baile nos titulares num treino em General Severiano, que inventaram o olé. Eles estavam numa excursão na América do Sul e aprenderam a sacanagem com a torcida local quando o Botafogo tocava a bola contra seus adversários. Por isso, de brincadeira, chegando ao Rio, brindaram os titulares com o olé que estavam aplicando. Em resumo: conhecer a história do Botafogo é fácil. Saber de tudo o que ocorria em General Severiano é que é uma tarefa difícil.

Parabéns, Botafogo, nas quatro décadas de mais um de seus títulos históricos!

Saudações Botafoguenses,

Roberto Porto

portoroberto@uol.com.br

 

 



Escrito por Roberto Porto às 15h48
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